Na sexta-feira (30), agricultores despejaram esterco nas ruas de Turim como parte de manifestações que ocorreram em mais de 50 cidades italianas. A mobilização nacional foi liderada pelo sindicato anticapitalista USB e reuniu trabalhadores dos setores público e privado. Os protestos foram inspirados por movimentos semelhantes em outras partes da Europa e tiveram como alvo principal o aumento no custo de vida e a precariedade de serviços públicos, como saúde e educação. As maiores manifestações ocorreram em Milão, Turim e Roma, onde pessoas de todas as idades se uniram para expressar indignação contra a primeira-ministra Giorgia Meloni e seu governo. Em Milão, cartazes antigovernamentais exibiam frases como “Vamos derrubar o governo Meloni — a rebelião é justa”. Em Nápoles, alguns manifestantes queimaram fotos da premiê.
O Ministério do Interior italiano informou que prisões preventivas foram realizadas antes das marchas para conter a violência. À exceção de confrontos isolados, as manifestações transcorreram de forma majoritariamente pacífica ao longo da tarde. Em Roma, quando alguns jovens tentaram incendiar uma caçamba de lixo, outros apagaram o fogo rapidamente. Um forte sentimento antiguerra foi evidente, com muitos manifestantes agitando bandeiras palestinas durante a marcha. Outros seguravam faixas que se opunham aos gastos militares do governo. As reivindicações variaram conforme a localidade: em Gênova, trabalhadores portuários mobilizaram-se contra a “militarização” do porto para bloquear exportação de armamentos para zonas de conflito, incluindo Israel; já em Bolonha, estudantes pediram revisão da política educacional. O sindicato USB incentivou taxistas a manterem greves, apesar de avisos semelhantes aos feitos ao setor de transportes, cujos trabalhadores desistiram de aderir aos piquetes após ameaça de sanções pelo ministro dos Transportes, Matteo Salvini.



