Donald Trump fez um apelo direto aos eleitores durante a convenção do Partido Republicano para as Eleições de Meio de Mandato, pedindo que fingissem que ele estava nas cédulas. Na mesma ocasião, o presidente prometeu US$ 5 mil a cada cidadão adulto americano caso o partido mantenha a maioria na Câmara e no Senado.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos publicada em 26 de outubro indica que apenas 32% dos americanos aprovam a gestão de Trump. Levantamentos sobre as Midterms mostram vantagem dos democratas na preferência do eleitorado para o Congresso, agravada por preocupações com inflação, custo de vida e combustíveis.
O cientista político Hussein Kalout, da Universidade Harvard, aponta que um dos principais desafios do segundo mandato é o enfraquecimento do movimento MAGA. Segundo ele, apoiadores fervorosos se desvinculam do presidente porque entendem que a causa não foi implementada como prometido e acreditam que ele age por interesses corporativos ou de Israel na guerra com o Irã.
Pesquisa da CNN de 21 de outubro mostra que 49% dos entrevistados preferem o candidato democrata de seu distrito, contra 39% que optam pelo republicano. Silvio Cascione, diretor da Eurasia Group no Brasil, alerta que uma eventual perda de uma das Casas Legislativas reduziria a margem de Trump para avançar sua agenda doméstica e aumentaria o espaço dos democratas para fiscalizar e investigar o governo.
A guerra com o Irã, iniciada em fevereiro e ainda sem acordo para encerrá-la, representa outro problema. Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice Internacional, afirma que interlocutores iranianos estariam considerando prolongar o conflito para explorar a sensibilidade de Trump quanto à duração da guerra e prejudicar sua imagem diante de um eleitorado pouco favorável a conflitos longos.
Cascione avalia que Trump poderá concentrar esforços na política externa se se sentir limitado no avanço da agenda doméstica após as eleições. O especialista cita dificuldades na China e no Oriente Médio, além de uma possível maior atividade na América Latina com a doutrina 'Donroe' e ampliação da influência continental.
Nas Midterms, todos os 435 assentos da Câmara estão em disputa, além de 35 dos 100 assentos do Senado. Será definido se os republicanos mantêm o controle das duas Casas Legislativas para ajudar Trump a aprovar sua agenda ou se os democratas dominam o Congresso para impedir prioridades legislativas e abrir investigações contra o presidente.
Trump não poderá concorrer novamente à Presidência em 2028 devido à 22ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Sua capacidade de influenciar a sucessão republicana dependerá dos resultados econômicos e do engajamento da base MAGA nos próximos dois anos, segundo Kalout.
Entre os nomes discutidos para suceder Trump em 2028 estão o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth. No Partido Democrata, a reorganização após a derrota de Kamala Harris traz à tona nomes como Gavin Newsom, Josh Shapiro e Alexandria Ocasio-Cortez.



