Duas reportagens do, premiadas pela qualidade jornalística e pela relevância social, foram finalistas do Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo, que reconhece anualmente os melhores trabalhos de dados e investigação no país. A premiação ocorrerá em 12 de novembro, durante a Coda. Br 2026, em São Paulo, após nove meses de apuração rigorosa e uso da Lei de Acesso à Informação para mapear 128 casos de assédio sexual em instituições federais e revelar padrões obscuros de letalidade da Polícia Militar de São Paulo.
Contextos Institucionais e Investigação Baseada em Dados
A reportagem "O assédio sexual nos câmpus em 128 atos", produzida por Tácio Lorran, Melissa Duarte e Manuel Marçal, analisou 128 casos de condutas de conotação sexual registradas em processos administrativos disciplinares (PADs) de 59 universidades e institutos federais de pesquisa, com 265 vítimas — maioria feminina — obtidos exclusivamente por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) após nove meses de solicitação formal aos órgãos competentes.
A investigação revelou falhas estruturais no combate ao assédio: ausência de protocolos eficazes, demora na apuração disciplinar e silenciamento institucional, enquanto um mapa interativo disponibilizado pela reportagem permite ao público rastrear o tratamento dado a cada caso nas instituições envolvidas.
Foram mapeados 128 casos de assédio sexual em 59 instituições federais, com 265 vítimas, predominantes entre mulheres.
Repercussão Legal e Desafios Futuro
O Ministério da Educação e as comissões de direitos humanos já acionaram o Ministério Público Federal para apurar possíveis violações de direitos fundamentais nas instituições onde os casos ocorreram, enquanto a Associação Brasileira de Universidades (ABU) anunciou a criação de um protocolo nacional unificado para prevenção e apuração imediata do assédio sexual.
A Polícia Militar do Estado de São Paulo ainda não se manifestou publicamente sobre as conclusões da reportagem "A Política da Bala", que identificou envolvimento direto de um pequeno grupo de oficiais em mais de 20% dos homicídios envolvendo civis desarmados, fato que pode ensejar ações judiciais individuais ou coletivas contra os agentes implicados.



