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Petróleo e câmbio sugerem inflação mais elevada no Brasil, diz XP

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 20:36
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Petróleo e câmbio sugerem inflação mais elevada no Brasil, diz XP
Fatos Rápidos da Notícia
  • Caio Megale, economista-chefe da XP, avaliou que as movimentações recentes do câmbio e do petróleo sugerem pressões inflacionárias mais elevadas no Brasil.
  • Em entrevista ao CNN Money, ele destacou que as projeções de inflação, especialmente para 2027, estão se deteriorando em razão de fatores externos e domésticos combinados.
  • Com o petróleo sendo negociado em torno de US$ 110 o barril, reforça-se o risco de inflação generalizada no mundo, segundo Megale.
Resumo Editorial

Caio Megale, economista-chefe da XP, avaliou que as movimentações recentes do câmbio e do petróleo sugerem pressões inflacionárias mais elevadas no Brasil.

Caio Megale, economista-chefe da XP, avaliou que as movimentações recentes do câmbio e do petróleo sugerem pressões inflacionárias mais elevadas no Brasil.

Em entrevista ao CNN Money, ele destacou que as projeções de inflação, especialmente para 2027, estão se deteriorando em razão de fatores externos e domésticos combinados.

Petróleo e câmbio como vetores de pressão inflacionária

Com o petróleo sendo negociado em torno de US$ 110 o barril, reforça-se o risco de inflação generalizada no mundo, segundo Megale.

Além disso, os preços de alimentos também subiram. No mercado doméstico, o destaque foi a taxa de câmbio, que passou de uma faixa entre R$ 5,05 e R$ 5,10 para cerca de R$ 5,30 a R$ 5,40. Segundo o economista, essa depreciação cambial, somada ao aumento de custos externos, "sugere inflação mais elevada em 2027".

Outros fatores também foram mencionados como fontes de pressão sobre os preços. Megale citou o fim da escala de trabalho 6x1, que, segundo estudos, pode gerar custos adicionais de ajuste para as empresas no curto prazo, elevando o custo dos serviços em 2027.

Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estaria revisando a pesquisa de orçamento familiar, uma vez que os serviços — setor com inflação mais alta — vêm ganhando maior participação na cesta de consumo dos brasileiros.

"Tudo isso está sugerindo um desafio maior para o Banco Central atingir a meta de 3%", disse o economista.

Decisão do Copom e possível pausa nos cortes de juros

Diante desse cenário, Megale avaliou que o Banco Central ainda deve entregar um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) prevista para a semana seguinte à entrevista, mas sinalizou que a instituição deveria deixar a porta mais aberta para uma eventual pausa em dezembro.

"A minha impressão é que o Banco Central ainda entrega, na semana que vem, um corte de 0,25", afirmou, acrescentando que "já vão deixar a porta bem mais aberta em dezembro" caso a deterioração das expectativas continue.

O economista ponderou que uma pausa nos cortes seria tecnicamente defensável, dado que as expectativas de inflação já estão acima da meta e continuam subindo. Por outro lado, ele ressaltou que a economia está desacelerando — com indicadores de vendas no varejo, produção industrial e de serviços apontando nessa direção — e que o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre poderia ser negativo.

"Juros de 13%, 13,5%, com uma inflação que roda em torno de 4%, 5%, ainda é um juro real muito elevado", ponderou Megale.

Risco de frustração no ciclo de cortes

Questionado sobre a possibilidade de o ciclo de cortes ser frustrado, como ocorreu em um ciclo anterior em que a Selic chegou a 15%, Megale reconheceu o risco, mas apontou diferenças relevantes no cenário atual.

Segundo ele, a desaceleração econômica atual parece mais consistente do que a observada naquele período, quando a economia reacelerou fortemente após sinais iniciais de arrefecimento. "Agora a gente, de fato, pelo menos do lado do crescimento econômico, parece bem claro que há uma virada no ciclo", disse.

No entanto, Megale alertou que, se o petróleo continuar subindo, se a política fiscal caminhar na direção de mais despesas e se o câmbio depreciar ainda mais — chegando próximo a R$ 6,00 —, o cenário de frustração poderia se concretizar. Com os dados disponíveis no momento da entrevista, sua avaliação era de que o Banco Central deveria aguardar a dissipação dos choques inflacionários antes de retomar cortes mais expressivos.

"A impressão é que nós temos uma onda de inflação aqui agora, o Banco Central dá uma segurada, espera essa onda passar", concluiu.

Subsídio ao combustível e perspectivas para o preço da gasolina

Sobre o subsídio ao diesel e à gasolina, Megale afirmou que não havia, em seu cenário-base, projeção de alta nos preços dos combustíveis. Ele explicou que o aumento do petróleo gera maior arrecadação, o que ajuda a financiar o subsídio.

O próprio governo já havia sinalizado a continuidade do benefício para o ano seguinte. Contudo, o economista advertiu que manter os preços da gasolina fora da paridade internacional por um período prolongado não seria sustentável caso o petróleo permanecesse acima de US$ 100 o barril.

"Se ficar claro que o preço do petróleo não vai voltar para os 70, 80 que todo mundo esperava e vai ficar acima de 100, aí a gente tem que aceitar custos mais elevados de combustíveis", afirmou.

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