O MPF instaurou procedimentos para apurar relatos de violência, ameaças e hostilidades contra povos indígenas em Mato Grosso do Sul após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. As denúncias foram encaminhadas pela Apib a instituições federais e incluem relatos de atropelamentos e suspeitas de contaminação da água.
Em Tacuru, a investigação está sob responsabilidade do 6º Ofício da Procuradoria da República em Dourados. O órgão deu prazo de 48 horas para que a prefeitura informe quais providências foram adotadas para apurar a autoria, a autenticidade e a divulgação de áudios com ameaças, além das medidas para garantir a segurança das comunidades e a continuidade dos serviços públicos essenciais.
O MPF recomendou o afastamento cautelar de servidores municipais e a abertura de processo administrativo disciplinar caso sejam encontrados indícios consistentes de envolvimento na produção dos áudios. Até o momento, as informações divulgadas pelo órgão não confirmam contaminação da água nem apontam responsáveis pelas supostas ameaças.
Em Naviraí, o MPF investigou denúncias de supostos homicídios motivados por conflitos políticos, mas as diligências indicaram que as informações sobre ataques contra indígenas eram falsas. Lideranças das comunidades Kurupi e Mboreviry negaram que integrantes dos grupos tivessem sido vítimas de ataques.
Segundo informações prestadas pela Promotoria de Justiça de Naviraí e pela prefeitura, o caso registrado na cidade foi uma tentativa de duplo homicídio decorrente de um desentendimento familiar e interpessoal, sem motivação política ou étnica. Imagens do crime circularam na internet de forma adulterada e fora de contexto, associadas falsamente a um suposto ataque contra indígenas.
A análise de documentos oficiais não identificou histórico de pertencimento indígena das duas vítimas, Junho Alves Fernandes e Renan Willian de Souza Vieira, nem de seus pais. Por precaução, o MPF encaminhou um ofício à Secretaria de Saúde Indígena para complementar a checagem nos cadastros do órgão.



