Um estudo da Microsoft, publicado na revista científica Science, avaliou 300 casos médicos complexos e constatou que uma ferramenta de inteligência artificial obteve desempenho superior ao de médicos humanos na resolução dos problemas. A máquina demonstrou ser mais de duas vezes mais precisa do que os clínicos gerais participantes da pesquisa.
O sistema funciona de forma fragmentada, simulando o trabalho de uma junta médica, com módulos distintos que investigam sintomas, solicitam exames, analisam resultados e debatem os dados com personalidades variadas. O especialista em IA Álvaro Machado Dias explicou, durante o Prompt CNN, que essa estrutura lembra o formato visto na série Dr. House.
Além da precisão diagnóstica, a IA se destacou pela velocidade e pelo custo reduzido. Enquanto médicos que acertaram cerca de 36% dos casos gastaram aproximadamente US$ 4,7 mil em exames, as inteligências artificiais alcançaram resultados melhores com um gasto de cerca de US$ 2,2 mil, menos da metade do valor.
Machado Dias ressaltou que a agilidade é fundamental porque o tempo pode ser decisivo para o desfecho do paciente. Ele também afirmou que a máquina foi treinada para solicitar exames de forma mais criteriosa, diferentemente dos médicos que, por vezes, pedem exames por precaução para evitar acusações de negligência.
O especialista defende que a ferramenta não deve substituir o médico, mas atuar como uma camada intermediária de apoio na triagem e na recomendação de exames. Essa abordagem poderia ser especialmente útil no Brasil, onde o acesso a especialistas é desigual em regiões distantes dos grandes centros urbanos.



