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Governo Lula ou Flávio: o que ambos defendem para a relação com os EUA

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 04:30
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Governo Lula ou Flávio: o que ambos defendem para a relação com os EUA
Fatos Rápidos da Notícia
  • A negociação das tarifas de 37,5% impostas pelos Estados Unidos (EUA) aos produtos brasileiros será um dos desafios de política externa do próximo presidente, segundo especialistas.
  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentam caminhos distintos para a atuação internacional do Brasil em seus planos de governo, mas terão de lidar com uma agenda comercial que envolve a negociação das tarifas.
  • Para o professor de finanças da Strong Business School, Jarbas Thaunahy, a relação entre Brasil e Estados Unidos deve ser analisada a partir de três dimensões: interesses comerciais, alinhamento diplomático e capacidade de transformar afinidade política em resultados econômicos concretos.
Resumo Editorial

A negociação das tarifas de 37,5% impostas pelos Estados Unidos (EUA) aos produtos brasileiros será um dos desafios de política externa do próximo presidente, segundo especialistas.

A negociação das tarifas de 37,5% impostas pelos Estados Unidos (EUA) aos produtos brasileiros será um dos desafios de política externa do próximo presidente, segundo especialistas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentam caminhos distintos para a atuação internacional do Brasil em seus planos de governo, mas terão de lidar com uma agenda comercial que envolve a negociação das tarifas.

Para o professor de finanças da Strong Business School, Jarbas Thaunahy, a relação entre Brasil e Estados Unidos deve ser analisada a partir de três dimensões: interesses comerciais, alinhamento diplomático e capacidade de transformar afinidade política em resultados econômicos concretos.

“A principal diferença entre os cenários Lula e Flávio estaria na abordagem diplomática, um governo Lula tenderia a enfatizar a autonomia estratégica brasileira e o diálogo com diferentes polos de poder; um eventual governo Flávio Bolsonaro poderia buscar maior proximidade política com Donald Trump. Mas é importante separar intenção de resultado, ter afinidade com Washington pode facilitar o diálogo, mas não garante tarifas menores, novos investimentos ou acesso privilegiado ao mercado americano”, disse.

“A principal diferença entre os cenários Lula e Flávio estaria na abordagem diplomática, um governo Lula tenderia a enfatizar a autonomia estratégica brasileira e o diálogo com diferentes polos de poder; um eventual governo Flávio Bolsonaro poderia buscar maior proximidade política com Donald Trump. Mas é importante separar intenção de resultado, ter afinidade com Washington pode facilitar o diálogo, mas não garante tarifas menores, novos investimentos ou acesso privilegiado ao mercado americano”, disse.

A disputa comercial ganhou uma nova etapa em julho de 2026, quando os EUA anunciaram sobretaxas de 25% e 12,5% sobre parcelas das importações brasileiras.

Segundo levantamento divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), as novas medidas alcançam 23,1% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.

A cobrança acumulada de 37,5% atinge uma parcela equivalente a US$ 6,6 bilhões, ou 16,5% das vendas ao mercado americano, considerando a base utilizada no levantamento.

O Brasil manteve a negociação bilateral e recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 27 de julho, apresentou um pedido de consultas, etapa inicial do mecanismo de solução de controvérsias, sob o argumento de que as tarifas são incompatíveis com os compromissos internacionais dos EUA.

Em setembro, representantes dos países concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir um possível acordo comercial. Após reunião com o representante comercial americano, Jamieson Greer, o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, afirmou que o Brasil busca a redução integral das tarifas.

No programa de governo, Lula enfatiza a autonomia brasileira, a diversificação de parceiros e o fortalecimento de organismos internacionais.

Já Flávio cita expressamente os EUA entre as relações que pretende recompor e propõe ampliar a integração do país aos principais polos econômicos e tecnológicos.

“A margem de negociação dependerá também do conteúdo das exigências americanas e das contrapartidas que o Brasil estiver disposto a discutir. O tarifaço limita a liberdade de ação dos dois candidatos, o próximo presidente terá de administrar os custos já existentes, proteger setores expostos e avaliar concessões sem comprometer interesses estratégicos nacionais”, afirma o professor.

“A margem de negociação dependerá também do conteúdo das exigências americanas e das contrapartidas que o Brasil estiver disposto a discutir. O tarifaço limita a liberdade de ação dos dois candidatos, o próximo presidente terá de administrar os custos já existentes, proteger setores expostos e avaliar concessões sem comprometer interesses estratégicos nacionais”, afirma o professor.

Plano de Lula para as relações internacionais

O programa de Lula propõe dar continuidade a uma política externa “universalista”, com relações em todas as regiões do mundo. O documento prevê diversificar parceiros e enfrentar o que chama de “agressões comerciais” com base nas normas internacionais e no multilateralismo.

O trecho dedicado à política externa não apresenta uma proposta específica para as tarifas americanas. Defende, no entanto, relações baseadas na reciprocidade e rejeita imposições unilaterais e a divisão do mundo em blocos rivais.

Também prevê aprofundar a aproximação com os Brics e os países do Sul Global, além de ampliar a participação dos países em desenvolvimento nas instituições internacionais.

Na relação com o presidente americano, Donald Trump, a contestação das tarifas tem gerado contatos diretos entre os líderes. Em telefonema em 21 de agosto, Lula afirmou que as alegações utilizadas para justificar as medidas eram infundadas e defendeu a continuidade das negociações.

O programa aponta, portanto, para a continuidade da busca por parceiros diversos e da defesa de regras multilaterais.

“Valorizaremos e protegeremos as brasileiras e os brasileiros no exterior, fortalecendo a assistência e a proteção consular, ampliando os mecanismos de participação da diáspora e reconhecendo seu papel como elo cultural, econômico e afetivo entre o Brasil e o mundo”, diz o texto.

“Valorizaremos e protegeremos as brasileiras e os brasileiros no exterior, fortalecendo a assistência e a proteção consular, ampliando os mecanismos de participação da diáspora e reconhecendo seu papel como elo cultural, econômico e afetivo entre o Brasil e o mundo”, diz o texto.

Flávio inclui os Estados Unidos, a Argentina e Israel entre os países com os quais pretende recompor relações. Seu programa afirma que esses vínculos foram levados “ao limite do rompimento”, avaliação da candidatura que deve ser distinguida da manutenção das relações diplomáticas e das negociações entre Brasil e EUA.

O candidato promete uma diplomacia orientada pelo comércio e pela atração de investimentos. O documento também afirma que negociará com China, União Europeia, EUA e outros mercados asiáticos, sem selecionar parceiros por afinidade ideológica.

Entre as prioridades estão a retomada do processo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a abertura comercial e a ampliação da participação brasileira nas cadeias internacionais de produção. Agroindústria, minerais críticos, saúde e economia digital aparecem como setores prioritários.

Flávio também mantém interlocução com Trump e em maio, esteve com o presidente americano. O encontro integra o contexto político da proposta de recomposição apresentada pelo candidato.

“Não trataremos como adversários os nossos parceiros mais importantes e tradicionais. Nos últimos anos, as relações com países como Argentina, Estados Unidos e Israel foram levadas ao limite do rompimento. Vamos reverter esse quadro com profissionalismo e foco no interesse do Brasil. Negociaremos com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos, porque o que orienta a nossa diplomacia é o interesse do produtor e do trabalhador brasileiro, não a simpatia ou a antipatia por este ou aquele governo”, afirma o plano de governo.

“Não trataremos como adversários os nossos parceiros mais importantes e tradicionais. Nos últimos anos, as relações com países como Argentina, Estados Unidos e Israel foram levadas ao limite do rompimento. Vamos reverter esse quadro com profissionalismo e foco no interesse do Brasil. Negociaremos com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos, porque o que orienta a nossa diplomacia é o interesse do produtor e do trabalhador brasileiro, não a simpatia ou a antipatia por este ou aquele governo”, afirma o plano de governo.

Atuação da família Bolsonaro no tarifaço dos EUA

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