O PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), duas das maiores facções criminosas do Brasil, ampliaram sua operação de tráfico de cocaína ao utilizar a Amazônia como rota estratégica de exportação, reinvestindo parte dos lucros na extração ilegal de ouro, conforme evidenciado por relatório técnico divulgado em setembro pela Global Initiative, que aponta a escalada do valor da droga ao longo da cadeia logística e a integração entre o narcotráfico e o garimpo clandestino.
Contexto Institucional e Dinâmica do Comércio Ilegal na Amazônia
O levantamento da Global Initiative revela que o cloridrato de cocaína, adquirido nas regiões produtoras da Colômbia e do Peru por cerca de US$ 1 mil por quilo, sofre significativa valorização ao ser transportado para a Amazônia brasileira, onde seu preço sobe para entre US$ 2,5 mil e US$ 3,5 mil por quilo, culminando em US$ 4 mil a US$ 5 mil quando exportado para a Europa, evidenciando as altas margens de lucro que incentivam a reinvestida desses recursos na mineração ilegal de ouro.
A mineração ilegal, classificada como atividade central das facções criminosas na região amazônica, ocorre em territórios indígenas ou unidades de preservação ambiental, mas se sustenta em brechas regulatórias que dificultam a fiscalização; segundo a Funari, os recursos obtidos com o tráfico são direcionados para a exploração e comercialização do ouro, ativo de difícil rastreamento e alto valor de mercado, com cotação registrada em US$ 5,5 mil por onça em janeiro de 2026.
O PCC e o CV investem lucros do tráfico de cocaína na mineração ilegal de ouro na Amazônia, com o valor da droga subindo de US$ 1 mil para até US$ 5 mil por quilo ao longo da rota exportadora.
Repercussão Legal e Estratégias de Enfrentamento
A associação entre tráfico de drogas e mineração ilegal tem sido alvo de investigações do Ministério Público Federal e do Ministério da Justiça, que destacam a necessidade de coordenar ações entre agências ambientais, econômicas e de segurança para desarticular as estruturas criminosas que operam na região.
Especialistas apontam que a valorização do ouro ilícito pode intensificar o incentivo à continuidade dessas atividades, exigindo respostas integradas dos governos federal e estadual, incluindo reforço nas políticas de combate ao garimpo clandestino e monitoramento financeiro das transações suspeitas.
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