O Ministério Público de São Paulo (MPSP) formalizou denúncia contra dois indivíduos suspeitos de integrar esquema de comercialização de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol em Guarulhos (SP), após investigação que apurou a morte de uma mulher por intoxicação grave em setembro de 2025 e apreensão de oito amostras contendo substância tóxica em concentrações entre 34,6% e 40,9%.
Apuração Criminal e Contexto do Esquema Ilícito
A 16ª Promotoria de Justiça Criminal de Guarulhos, responsável pela denúncia, identificou que um dos acusados atuava como proprietário de estabelecimento comercial na Avenida Guarulhos, onde adquiria bebidas alcoólicas sem exigir documentação que comprovasse a origem ou autenticidade dos produtos, enquanto o segundo suspeito providenciava as garrafas por meio de fornecedores não identificados nas proximidades do Mercado Municipal de São Paulo.
O caso que culminou na internação da vítima feminina, ocorrido em setembro de 2025, demonstrou a gravidade da prática: a mulher sofreu intoxicação aguda por metanol após o consumo de bebida no local, sendo submetida a tratamento intensivo que resultou em perda permanente da visão nos dois olhos, fato este corroborado por laudo pericial que confirmou a presença de metanol em oito amostras apreendidas com teor entre 34,6% e 40,9%.
A adulteração com metanol em oito amostras atingiu concentrações entre 34,6% e 40,9%, configurando risco iminente à saúde pública e crime hediondo contra a vida.
Consequências Jurídicas e Desdobramentos Imediatos
A denúncia formaliza a responsabilização criminal dos acusados pelos crimes de falsificação de produto destinado ao consumo e lesão corporal, conforme previsto nos artigos 98 e 121 do Código Penal Brasileiro, com o caso servindo como alerta para a Anvisa e demais órgãos reguladores sobre a urgência de reforçar fiscalização em estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas.
A Justiça deve analisar o mérito da denúncia nos próximos meses, enquanto o Ministério Público mantém postura técnica para ampliar investigações e coibir a circulação de produtos adulterados em regiões estratégicas do Grande ABC paulista.



