A jornalista filipina e americana Maria Ressa, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2021 por sua investigação sobre o poder das grandes plataformas digitais, alertou que a inteligência artificial exige regulamentação imediata para preservar a autonomia humana e a segurança pública, em vista de sua capacidade de manipular comportamentos sociais e biológicos em escala global.
Contexto Histórico e Estrutura das O ndas da Inteligência Artificial
A apuração revelou que Ressa, co-presidente do painel científico da O NU sobre inteligência artificial, destacou que o desenvolvimento tecnológico atravessa há aproximadamente 70 anos três fases críticas: a primeira, marcada pelas redes sociais que capturam a atenção e polarizam as sociedades; a segunda, envolvendo chatbots que manipulam a intimidade humana; e a terceira, caracterizada por agentes de IA autônomos e multiagentes que operam de forma proativa sem supervisão humana.
Esses agentes, segundo a jornalista, representam um salto qualitativo ao passo dos modelos anteriores, pois agem não apenas simulando a interação humana, mas exercem decisões concretas em nome dos usuários, como demonstrado nos processos judiciais norte-americanos que obrigaram a Meta a arcar com US$ 18 bilhões em indenizações e a restringir o acesso de adolescentes às plataformas por uma década.
A inteligência artificial não é nem artificial nem inteligente. Ela existe há cerca de 70 anos e já passou por três ondas que atingiram o público.
Repercussão Legal, Econômica e Desafios Regulatórios
As declarações de Ressa foram recebidas com ressalvas por setores da indústria tecnológica, especialmente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que rejeitou propostas regulatórias sob o argumento de preservar a competitividade tecnológica frente à China; entretanto, ela desclassificou tal postura como 'boa propaganda', reforçando que na prática Pequim implementa medidas de segurança mais rigorosas para seus cidadãos do que o Vale do Silício para o mundo ocidental.
Ressa apontou ainda que as iniciativas europeias e australianas de estabelecer limites de idade para o uso de redes sociais representam avanços parciais, mas insuficientes, já que os riscos de manipulação política e dependência persistem para adultos, exigindo a remoção sistemática de recursos viciantes das plataformas.



