No domingo (25), o Brasil escolheu o seu presidente. Mas quando a gente olha São Paulo mais no detalhe, a gente vê algo curioso. A cidade não votou como um bloco único.
No bairro da Consolação, Lula teve praticamente 67% dos votos do segundo turno, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No Tatuapé, algo ao redor de 41,5%.
Por que eu estou comparando esses dois bairros? Porque, apesar deles terem índices de votação tão diferentes, eles têm uma renda parecida. Algo próximo de R$ 7.700 na Consolação contra R$ 8.200 no Tatuapé.
E o que isso diz pra gente? Que o dinheiro sozinho não consegue explicar essa história.
E tem mais: no primeiro turno, Lula perdeu espaço e votos em áreas periféricas da cidade.
Nos locais de votação com menor escolaridade, a fatia entre os votos dado a ele e ao Flávio Bolsonaro caiu cerca de 5 pontos, se comparado com 2022, de 64,3% para 59,3%.
No segundo turno, o movimento foi inverso.
Lula avançou mais nos locais menos escolarizados do que naqueles mais escolarizados. Uma das descobertas mais surpreendentes foi no Centro Antigo de São Paulo.
Entre os locais de votação com o eleitorado mais escolarizado, essa região deu quase 58% dos votos para Lula no segundo turno.
Em áreas de escolaridade parecida fora dali, ele levou 46% a 48%.
Uma diferença semelhante a essa foi observada em três turnos presidenciais. Mesmo quando a análise considera renda, idade e escolaridade, o Centro Antigo fica com uma vantagem de 12 pontos no segundo turno.
Afinal, o que acompanha essa diferença? No Centro Antigo, 21% dos moradores não declaram religião, contra 14% nas áreas comparadas.
E 37% das famílias ali têm só uma pessoa, contra 25% fora daquela região. Isso, de maneira isolada, obviamente não prova como cada indivíduo votou e nem as características que causam o voto.
Mas mostra que a geografia eleitoral de São Paulo é muito mais complexa do que uma divisão entre ricos e pobres.
Porque a polarização não se distribui de maneira uniforme dentro do município. Para entender como uma cidade realmente vota, não basta olhar para quantas pessoas ganham.
É preciso entender, de fato, o tipo de cidade que cada uma dessas pessoas vive.



