Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, uma disputa interna no PT ganhou força em torno da chefia da Casa Civil. De acordo com o analista de política Matheus Teixeira, duas alas do partido, uma ligada ao Sudeste e outra ao Nordeste, travam uma acirrada batalha por espaço no novo governo.
De um lado, Fernando Haddad (PT-SP) surge como nome de confiança de Lula para o cargo. Apesar de não ter obtido um bom resultado na disputa pelo governo de São Paulo, Haddad mantém proximidade com o presidente eleito.
"Ele foi ministro da Educação por muitos anos e também ministro da Fazenda, teve o trabalho bem avaliado pelo presidente Lula e sempre foi apontado como um possível sucessor, tanto que ele foi o candidato em 2018, quando Lula estava preso", contextualizou Teixeira durante o CNN 360º desta quarta-feira (28).
Por outro lado, Camilo Santana (PT-CE) emerge como alternativa, representando a ala nordestina do partido. O senador ganhou destaque ao lado de Lula, especialmente no segundo turno das eleições, após conseguir reeleger o candidato do PT no Ceará, Elmano de Freitas.
Junto a ele, Rafael Fonteles, governador do Piauí, também se fortaleceu nesse período, ampliando a pressão do Nordeste por maior representatividade no novo governo.
"Cresce dentro do Partido dos Trabalhadores o movimento para tentar enfraquecer o PT de São Paulo, que historicamente foi quem deu as cartas", destacou Teixeira.
Teixeira lembrou que nomes como Zé Dirceu e Antônio Palocci, ambos de São Paulo, foram os nomes mais poderosos quando Lula assumiu a presidência pela primeira vez, em 2003. Além disso, Edinho Silva, ex-prefeito de Piracicaba, é presidente nacional do PT e foi coordenador da campanha de Lula no primeiro turno.
A tensão entre as duas regiões foi verbalizada publicamente ainda durante a campanha. A ex-ministra Kátia Abreu (PT-GO), logo após o primeiro turno, queixou-se da presença excessiva de petistas paulistas na coordenação da campanha.
"Ela falou: 'um monte de petista de São Paulo sem voto tem tomado conta da campanha, enquanto quem de fato tem entregado para o presidente Lula é o Nordeste'", relembrou Teixeira.
O analista destacou ainda que a definição sobre quem assumirá a Casa Civil pode ter impactos em outras pastas. Caso Haddad vá para o cargo, aventa-se a possibilidade de Dario Durigan continuar no Ministério da Fazenda.
"Na visão do PT do Nordeste, neste quarto mandato do presidente Lula, o Nordeste tem que ganhar ainda mais espaço", concluiu Teixeira.



