Na manhã de quinta-feira (17/9), a Polícia Federal deflagrou na região sul do Paraná a O peração Eredità, com o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, além de ordens para bloqueio de bens e valores vinculados a uma estrutura criminosa que assumiu o tráfico internacional de cocaína após a prisão de membros da máfia italiana.
Contexto Estratégico e Evolução do Consórcio Criminal
A investigação, coordenada pela 5ª Vara Federal do Paraná em conjunto com a Diretoria de Repressão ao Crime O rganizado (DRCO), identificou que familiares próximos e antigos associados de integrantes da 'Cosa Nostra' italiana, presos em 2019 em Praia Grande, São Paulo, reorganizaram o esquema logístico para manter o fluxo de mais de quatro toneladas de cocaína destinadas à Europa entre 2019 e 2020.
Segundo o relatório técnico da PF, as atividades operacionais foram sustentadas por fornecedores brasileiros, rotas logísticas estabelecidas pelo Porto de Paranaguá e uso de estruturas financeiras fraudulentas no Banco do Brasil, totalizando contratos suspeitos no valor de R$ 80 milhões, com apoio documentado da Europol e autoridades italianas.
Mais de quatro toneladas de cocaína foram movimentadas pela rede, que operava com estrutura hierárquica inspirada na herança mafiosa italiana.
Repercussão Legal e Direcionamento das Investigações
A Justiça Federal já concedeu medidas cautelares para congelar ativos vinculados a três empresas fachada localizadas em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa, enquanto o Ministério Público Federal abre inquérito para apurar participação de funcionários públicos e contratos irregulares no Banco do Brasil.
Especialistas apontam que o caso pode servir de marco para ações coordenadas com a Itália, já que documentos apreendidos revelam comunicação direta entre agentes da 'Ndrangheta e redes brasileiras por meio de aplicativos criptografados.



