Neste sábado (24), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a falar em retirar a imprensa da Casa Branca e mover os jornalistas para outro espaço.
Isso significaria que repórteres credenciados para cobrir a Casa Branca perderiam o acesso diário à Ala Oeste e teriam que trabalhar de algum outro espaço, mais distante do Executivo - quebrando uma prática que existe desde o século XX.
Hoje, jornalistas com credenciamento para acessar a Casa Branca são baseados no Jardim Norte da residência, na Ala Oeste. É lá, ao lado do Salão Oval, que repórteres podem observar as movimentações do poder executivo e conversar com fontes.
É também no Jardim Norte da Ala Oeste que ficam a Briefing Room, a sala onde acontecem as coletivas de imprensa, os escritórios dos assessores de imprensa da presidência e de alguns veículos de mídia.
O local onde hoje fica a Briefing Room era uma piscina construída para auxiliar o tratamento contra poliomielite do então presidente Franklin D. Roosevelt. Anos depois, durante o mandato de Richard Nixon, o espaço foi remodelado para abrigar a sala hoje mundialmente conhecida pelas transmissões de pronunciamentos e entrevistas coletivas do governo norte-americano.
Mas muito antes da transformação da piscina em sala de imprensa, ainda no século XX, jornalistas já tinham acesso à Casa Branca para reportar sobre o Executivo. E é isso que Trump considera reverter; inclusive trazendo de volta a piscina ao espaço da Briefing Room.
Em setembro, o presidente norte-americano compartilhou um post nas redes sociais comparando duas imagens do espaço; uma, com a sala como é hoje, e a legenda “Fake news - antes”, a outra, com uma piscina no lugar, e a legenda “Piscina do FDR - depois”.
A ideia não é nova. Trump falou sobre tirar a imprensa da Casa Branca ainda antes de assumir o primeiro mandato na presidência, mas desistiu depois de forte oposição da mídia, do poder público e até mesmo de aliados, que viram a possibilidade como um gesto preocupante.
Tradicionalmente, a proximidade da imprensa do executivo é vista como um elemento importante de transparência do governo e democracia.
Mais recentemente, porém, fortalecido por um círculo íntimo de pessoas que oferecem menos resistência a suas ideias, Trump voltou a falar sobre o assunto.
Em uma entrevista ao jornal The New York Times, o conselheiro Steve Bannon afirmou que a presença de repórteres ao redor do Salão Oval representa uma ameaça à segurança nacional, e defendeu a transferência da área de imprensa para outro lugar, como o EOB (Executive Office Building), o prédio de escritórios do governo ao lado da Casa Branca.
Além das preocupações sobre o significado da medida e as consequências na cobertura sobre a sede do poder dos EUA, a mudança da área de imprensa também traz desafios práticos. Há décadas os principais veículos norte-americanos têm escritórios na Casa Branca; seria preciso encontrar um espaço com capacidade para abrigar todas essas equipes e equipamentos.
Além disso, a proximidade dos jornalistas representa vantagens para Trump, um presidente que gosta de poder chamar a imprensa para declarações de última hora ou cobrir eventos com pouco aviso prévio.



