Na manhã de quinta‑feira (17), a O peração Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo, resultou na prisão de nove suspeitos, entre eles o ex‑presidente da SPTrans Levi dos Santos O liveira, numa ação que desdobrou 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em torno de uma suposta estrutura criminosa vinculada ao Primeiro Comando da Capital que operava no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
Contexto Institucional e Estrutura do Esquema Criminal
A apuração conduzida pelo Ministério Público de São Paulo revelou que pelo menos 12 das 22 empresas que atuam no sistema de transporte coletivo da capital são, em tese, controladas ou diretamente ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que, até então, se restringia ao tráfico de drogas., Investigações anteriores da Polícia Civil e do próprio MP já haviam apurado denúncias relacionadas a essas empresas, e os diálogos interceptados por autoridades apontam que José Daniel Satilite, sócio de algumas dessas transportadoras, planejava ampliar a atuação do PCC para a saúde pública e para a criação de organizações não governamentais (O NGs), conforme documentos oficiais.
O ex‑presidente da SPTrans, Levi dos Santos O liveira, figura entre os detidos, é suspeito de ter participado da estrutura que utilizava contratos públicos e licitações para financiar a organização criminosa; além dele, foram identificados outros envolvidos como Júlio Salvador Filho, Claudionor Aparecido Sabino Tomaz e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal. O esquema também envolve Milton Leite (União Brasil), apontado como operador real da empresa Transwolff e alvo de mandado de prisão que ainda não foi localizado.
O PCC tem ampliado sua presença no cenário institucional ao infiltrar-se em setores como saúde pública e na criação de O NGs, estratégia que permite captar recursos públicos por meio de contratos e licitações. A associação da entidade com a ACENI (Associação das Crianças Excepcionais de Nova Iguaçu) é citada em diálogos como ponto de contato para a transmissão de recursos financeiros ilícitos.
A investigação apurou ainda indícios de financiamento direto de campanhas políticas para candidatos a prefeitos e vereadores nas eleições municipais de 2024, com menções explícitas a Danilo Morgado (PL) e ao apoio financeiro de José Ronaldo Alves de Sales, ex‑funcionário da Assembleia Legislativa de São Paulo.
Segundo o relatório do Ministério Público, as ações do PCC buscam diversificar seus fluxos financeiros, criando estruturas legais que sirvam como fachada para o recebimento de verbas públicas e para a legitimação da origem criminosa.



