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Primeira quilombola é aprovada no concurso de admissão à carreira diplomática

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Há 57 min
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Primeira quilombola é aprovada no concurso de admissão à carreira diplomática
Fatos Rápidos da Notícia
  • Helen Jaine Gomes Borgens é a primeira quilombola aprovada no CACD
  • Aprovada pela Lei nº 15.142/2025 e nomeada terceira-secretária do Itamaraty
  • Estudou sem internet ou professores na comunidade quilombola do Retiro
Resumo Editorial

Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, tornou-se a primeira quilombola aprovada no CACD e tomou posse como terceira-secretária do Ministério das Relações Exteriores no Itamaraty, marcando um avanço na inclusão de comunidades tradicionais na diplomacia brasileira.

Helen Jaine Gomes Borgens, natural de Goiânia e criada em Simolândia, no nordeste de Goiás, foi aprovada no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) e assumiu o cargo de terceira-secretária do Ministério das Relações Exteriores em cerimônia realizada no Itamaraty na quarta-feira (4/11). Formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela é a primeira quilombola a conquistar a vaga em um dos certames mais concorridos do país.

A aprovação ocorreu por meio da Lei nº 15.142/2025, que ampliou a reserva de vagas em concursos públicos federais para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas. O concurso de 2026 foi o primeiro para a carreira diplomática sob essa legislação, com vagas específicas para indígenas e quilombolas. Dos 60 novos diplomatas, 27 pertencem a grupos historicamente sub-representados e as mulheres representam 45% dos aprovados, a maior participação proporcional feminina da história do Instituto Rio Branco.

Helen cresceu na comunidade quilombola do Retiro, que integra a Associação de Comunidades Quilombolas junto com Castelo e Três Rios. Ela estudou no Colégio Estadual Elvira Leão Barreto e, após se formar na UFG em 2025, retornou à comunidade para se dedicar aos estudos. Devido à localização no interior, ela precisou estudar sozinha, sem acesso à internet ou apoio de professores, conforme relatou à própria universidade: “Todo o conhecimento além do básico tive que buscar por conta própria. Não tive professores nem ninguém para orientar, porque simplesmente não existia essa estrutura aqui. Era eu e Deus”.

Durante o curso de Relações Internacionais, Helen chegou a pensar em desistir, mas reacendeu o desejo ao cursar a disciplina de Política Externa Brasileira. Sua família soma sete filhos formados no ensino superior, número que contrasta com a média nacional de apenas 2,3% de quilombolas com graduação completa segundo a Fiocruz.

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