Na madrugada de terça‑feira, 29 de outubro, Edvaldo Pinto Pereira de Souza, conhecido como Azul, faleceu aos 55 anos em Belém, vítima de infarto fulminante, encerrando uma trajetória de mais de duas décadas dedicada à pesquisa e à digitalização da música paraense. O reconhecido produtor cultural, DJ e acadêmico, figura central no mapeamento do patrimônio sonoro do Pará, foi velado no Teatro Margarida Schivasappa e sua partida foi comunicada pela Universidade Federal do Pará (UFPA).
Contexto Histórico e Projeto de Preservação da Música Paraense
A investigação jornalística constatou que Azul dedicou mais de 25 anos ao mapeamento sistemático da produção musical do Estado do Pará, iniciando seus esforços sistemáticos já na década de 1990 e consolidando um acervo que ultrapassa cinco mil títulos digitalizados por meio do projeto MúsicaParaense. O rg, lançado em 1998 com o objetivo de sistematizar informações sobre artistas, gêneros e contextos históricos da música paraense. A digitalização abrangente permitiu que o material fosse utilizado como referência acadêmica em estudos sobre movimentos regionais, contribuindo para a valorização da identidade cultural local.
Além da atuação digital, Azul exerceu papel relevante como DJ e curador, selecionando repertório que atravessava distintas fases da história musical paraense, bem como como produtor cultural e executivo em projetos colaborativos com nomes consagrados como Joãozinho Gomes, Pio Lobato e Everton MC, consolidando sua influência na cena cultural paraense.
Mais de 5 mil títulos foram digitalizados pelo projeto MúsicaParaense. O rg, preservando o rico patrimônio sonoro do Pará.
Repercussão Institucional e Perspectivas Futuras
A Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio de seu curso de Museologia, manifestou profundo pesar, destacando a dedicação acadêmica de Azul e o legado deixado entre estudantes, docentes e servidores, reforçando o impacto institucional de sua contribuição à pesquisa museológica e à preservação do patrimônio cultural paraense.
A expectativa é que o acervo digital criado por Azul continue a servir como referência fundamental para pesquisadores, produtores e curadores que buscam documentar e divulgar a música paraense; contudo, a comunidade cultural aguarda definições sobre a continuidade e a gestão do projeto MúsicaParaense. O rg diante da perda de seu idealizador.



