A Justiça Federal e a Polícia Federal iniciaram, em 2025, uma investigação que revelou um esquema de fraude na emissão de licenças de treinador da Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA), com a participação do ex-jogador internacional Alejandro Mancuso, de 58 anos, que, segundo apurações, vendia diplomas falsos a ex-jogadores brasileiros renomados, como Thiago Silva e Luiz Gustavo, por cerca de R$ 100 mil por pacote.
Contexto Institucional e Histórico do Esquema Fraudulento
A investigação, conduzida pela jornalista Joanna de Assis do e baseada em áudios, mensagens e documentos apreendidos durante busca e apreensão na sede da ATFA em Buenos Aires, identificou que Mancuso se apresentava como diretor internacional da entidade e oferecia aos atletas brasileiros a possibilidade de adquirir licenças C, B, A e PRO sem exigir a formação obrigatória prevista pela ATFA.
Conforme registros da carreira do ex-jogador, que integrou clubes como Vélez Sarsfield, Boca Juniors, Palmeiras e Flamengo — onde foi campeão carioca de 1996 —, Mancuso utilizava sua influência no futebol para prometer a emissão acelerada dos certificados aos jogadores veteranos que buscavam reconhecimento profissional na América Latina.
O plano fraudulento se apoiava na tese de que profissionais com trajetória consolidada não precisariam cumprir os requisitos pedagógicos exigidos pela entidade argentina, o que gerou controvérsia diante da legitimidade dos diplomas entregues sem avaliação técnica.
Mais de 30 ex-jogadores brasileiros pagaram cerca de R$ 100 mil cada para receber quatro licenças de treinador falsas da ATFA.
Repercussão Legal e Desdobramentos Futuros
A denúncia gerou reações imediatas da Associação Brasileira de Treinadores (ABT) e do Ministério da Justiça argentino, que classificaram o caso como 'grave ataque à integridade do futebol formativo' e acionaram o Ministério Público para apurar possíveis crimes de estelionato e falsificação documental.
Especialistas apontam que o esquema pode configurar também crime contra a administração pública, já que o uso indevido de credenciais esportivas pode ter impactado processos de contratação e licenciamento técnico em clubes brasileiros.



