Um estudo conduzido pelo projeto Infancia y Medio Ambiente (INMA), que analisou dados de 1.893 famílias espanholas ao longo de mais de duas décadas, revelou que a presença de coelhos e peixes em domicílios está correlacionada a menores índices de problemas emocionais em crianças durante o período escolar, enquanto a convivência com gatos demonstrou efeitos adversos no comportamento infantil, segundo os resultados publicados no periódico 'Environmental Health Perspectives'.
Contexto Institucional e Metodologia do Estudo INMA
A pesquisa, desenvolvida entre 2002 e 2023 com amostragem representativa de famílias da Espanha continental, utilizou questionários estruturados respondidos por responsáveis, com foco na frequência de contato com diferentes espécies animais domésticas e na avaliação sistemática de sintomas emocionais infantis por meio do Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ), instrumento validado para identificação de comportamentos internalizantes (como ansiedade e depressão) e externalizantes (como hiperatividade e desrespeito a normas sociais).
O s pesquisadores cruzaram os registros de aquisição de animais com os relatórios escolares das crianças, controlando variáveis socioeconômicas, rotina familiar e condições de saúde mental pré-existentes, concluindo que a presença de coelhos e peixes – considerados pets de baixa interação emocional – esteve associada a redução significativa nos indicadores de sofrimento psicológico, enquanto o convívio com gatos exibiu correlação positiva com aumento de comportamentos desafiadores, sem evidência causal direta estabelecida.
Crianças expostas a coelhos e peixes apresentaram 27% menor incidência de sintomas emocionais na escola, enquanto convívio com gatos correlacionou-se a maior risco de comportamento externalizante.
Repercussão Científica e Implicações para Políticas Públicas
As conclusões do INMA geraram debate no âmbito da saúde pública espanhola, com especialistas em psicologia infantil alertando para a necessidade de orientações diferenciadas para cada espécie pet, considerando que o impacto comportamental não se deve exclusivamente à presença animal, mas também à dinâmica familiar e ao nível de cuidado oferecido.
Profissionais da pediatria espanhola têm sugerido que programas educativos devem incluir orientações sobre a escolha consciente de animais de estimação, enfatizando que espécies como cães e aves não apresentaram efeitos significativos no desenvolvimento emocional infantil, conforme evidências do estudo.



