O segundo painel do evento Transição Energética: A conta da mudança, quem paga, quem ganha e quem pode ficar para trás?, promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico, ocorreu nesta quarta-feira (4) em Belém. Intitulada "Energia como política de inclusão e desenvolvimento", a mesa reuniu a professora Lilian Rebellato, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), o pesquisador Lucas Mateus Coelho Nunes, da Universidade do Estado do Pará (Uepa), e Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública. Os participantes alertaram que a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis, isoladamente, não garante uma transição justa.
Lilian Rebellato apresentou pesquisas realizadas em comunidades indígenas do rio Trombetas, no oeste do Pará, onde o isolamento geográfico dificulta o fornecimento de energia elétrica. Segundo ela, algumas localidades dependem de geradores movidos a diesel, exigindo longos deslocamentos pelos rios para abastecimento. A pesquisadora defende sistemas de energia solar com armazenamento em baterias e capacitação dos moradores para manutenção dos equipamentos, respeitando línguas indígenas e conhecimentos tradicionais.
Lucas Nunes apresentou um estudo sobre indicadores de sustentabilidade nos nove estados da Amazônia Legal. Ele apontou que o Pará depende fortemente da geração hidrelétrica, diferentemente de estados como Mato Grosso, que possuem maior diversificação com biomassa e energia solar. O pesquisador destacou que a quantidade de energia necessária deve considerar não apenas o consumo doméstico básico, mas também atividades produtivas, escolas e outras estruturas essenciais ao desenvolvimento local.
Sergio Andrade ressaltou que a transição energética faz parte de um processo mais amplo para uma economia de baixo carbono, podendo modificar atividades produtivas e fontes de arrecadação de municípios dependentes de mineração, petróleo e agropecuária. Ele mencionou que apenas 20% dos produtores da Amazônia têm acesso à assistência técnica e que pequenos agricultores enfrentam dificuldades para obter crédito compatível com suas atividades. Para o diretor-executivo, ampliar crédito, formação profissional e planejamento municipal é fundamental para que a transição alcance diferentes grupos sociais.



