A Ucrânia adotou uma virada estratégica desde o início do ano, passando de uma postura puramente defensiva para uma doutrina de guerra de longo alcance, com o objetivo de atacar infraestruturas militares, bases aéreas, centros logísticos e indústrias que sustentam o esforço de guerra russo, visando degradar a capacidade militar e crítica do Kremlin, especialmente em cidades como Moscou e São Petersburgo.
Contexto Estratégico e Transformação da Conduta Militar
A avaliação foi proferida por Maksym Skrypchenko, presidente do think tank Transatlantic Dialogue Centre, durante entrevista exclusiva à, na qual destacou que o campo de batalha expandiu-se além do território ucraniano, passando a englobar ataques profundos dentro do território russo, com foco em alvos estratégicos que comprometem a logística e a produção militar adversária.
Essa mudança reflete um novo paradigma na conduta das hostilidades, no qual a Ucrânia busca impor custos elevados ao adversário ao atacar infraestruturas críticas, combinando tecnologias soviéticas modernizadas com componentes ocidentais em processos de desenvolvimento acelerado e descentralizado, com ciclos de adaptação operacional de semanas, visando sobrecarregar as defesas aéreas russas e pressionar economicamente o Kremlin.
A Ucrânia busca impor custos cada vez mais altos à Rússia ao atacar infraestruturas militares e industriais que sustentam o esforço de guerra do Kremlin.
Repercussão Técnica e Posicionamento Institucional
As declarações de Skrypchenko coincidem com a análise de que a guerra evoluiu para uma dinâmica de saturação econômica e desgaste operacional, já que ataques com drones e mísseis de longo alcance forçam a Rússia a gastar recursos significativos em interceptação, redistribuição de ativos e reforço de defesas, enquanto alvos prioritários como refinarias, depósitos e rotas logísticas de petróleo visam comprometer a principal fonte de financiamento da máquina bélica russa.
Especialistas consultados pelo Transatlantic Dialogue Centre reforçam que essa nova fase exige não apenas inovação tecnológica, mas também resiliência institucional na produção defensiva ucraniana, que se tornou descentralizada para evitar pontos críticos de interrupção diante de ataques russos sobre centros logísticos.



