No cerco de uma investigação conduzida pela Justiça argentina e coordenada pela jornalista Joanna de Assis, do, o ex-jogador Alejandro Mancuso, que integrou os elencos do Flamengo e Palmeiras, é formalmente acusado de intermediar a obtenção de licenças falsas de treinador da Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA) para ex-atletas brasileiros e sul-americanos, em troca de valores que somavam cerca de R$ 100 mil por pacote contendo as categorias C, B, A e PRO.
Contexto Institucional e Evidências da Apuração
A apuração jornalística reuniu áudios, mensagens e documentos que comprovam a prática sistemática de concessão de certificações sem que os requerentes cumprissem os requisitos exigidos pela ATFA, inclusive a falta de participação em formações presenciais obrigatórias; entre os nomes citados nos indícios estão Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Luiz Gustavo, Dejan Petkovic, Diego Lugano e Paolo Guerrero, cujas declarações individuais revelam desconfiança e devolução parcial ou total dos valores pagos.
Nos corredores da ATFA, a entidade desmente categoricamente a atuação de Mancuso, afirmando que ele não integra sua diretoria, não possui vínculo contratual nem recebeu mandato para representá-la, além de ter produzido documentos com QR codes inválidos, datas retroativas e erros tipográficos como a indicação de 'futsal' em vez de 'fútbol', evidenciando fraudes técnicas que culminaram na abertura de inquérito pela Justiça argentina em 2025.
O pacote contendo quatro licenças C, B, A e PRO era cotado em aproximadamente R$ 100 mil.
Repercussão Legal e Desdobramentos da Investigação
A ATFA reiterou, por meio de comunicado oficial, que não reconhece qualquer representação de Mancuso e que os documentos entregues aos jogadores não guardam relação com os certificados originais emitidos pela entidade argentina, configurando falsificação documental com potencial violação às normas da Conmebol e da CBF.
Especialistas jurídicos apontam que a prática pode constituir crime contra a administração pública e fraude esportiva, sujeitando os envolvidos a sanções que incluem multas milionárias, cassação de licenças profissionais e até prisão preventiva caso se comprove a prática sistemática de estelionato.
O caso segue em fase de instrução na Argentina, com medidas cautelares já implementadas contra Mancuso; no Brasil, autoridades competentes estão avaliando a possibilidade de abrir inquérito paralelo perante o Ministério Público Federal.



