Na terça-feira, 15 de setembro, o ministro do STF Alexandre de Moraes deve ser formalmente investigado pelo Ministério Público Federal com base em conversas reveladas entre ele e Daniel Vorcaro, proprietário do Master Bank, conforme decisão judicial que autoriza a atuação do subprocurador André de Carvalho Ramos junto ao Supremo a partir da última sexta-feira (11/9).
Contexto Institucional e Jurídico da Designação
O subprocurador André de Carvalho Ramos, designado pelo procurador-geral da República Paulo Gonet para integrar as ações judiciais e extrajudiciais do Caso Master, mantém vínculo docente com o ministro Alexandre de Moraes na disciplina 'Direito Digital: Novos desafios da Democracia, Constituição, Direitos e Desenvolvimento', ministrada na Universidade de São Paulo (USP) desde maio de 2026, com carga horária total de 120 horas-aula. A escolha de Ramos para atuar ao lado de Gonet e do vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand foi formalizada no despacho assinado por este último, que autoriza sua atuação junto ao STF nos processos investigativos concernentes à fraude envolvendo o banco comandado por Vorcaro, cujas comunicações com o magistrado foram identificadas em relatório da Polícia Federal.
A relação profissional entre Ramos e Moraes, ambos responsáveis pela disciplina USP sobre Direito Digital – instituída para analisar os impactos das novas tecnologias no ordenamento jurídico e eleitoral – foi central na estratégia do Ministério Público para equilibrar a pressão institucional após a divulgação de diálogos que apontam possível influência indevida no âmbito das investigações sobre o Master.
O ministro Alexandre de Moraes deve ser formalmente investigado por diálogo com Daniel Vorcaro, dono do Master Bank, segundo decisão do STF prevista para 15/9.
Repercussão Legal e Estratégia Institucional
A designação de Ramos para atuar ao lado do PGR evidencia tentativa do Ministério Público de mitigar desgastes institucionais decorrentes da exposição de diálogos entre Moraes e Vorcaro, movimento já precedido pela divulgação de conversas que configuram possível conflito de interesses no âmbito da O peração Cipher, conforme indicado em laudo pericial da PF encaminhado ao STF.
A defesa do ministro já sinaliza resistência à abertura da investigação, enquanto juristas apontam que a decisão do STF pode gerar precedente relevante para futuras ações judiciais contra autoridades com vínculos acadêmicos e profissionais com investigados em casos de fraude sistêmica.


