Aproximadamente duas semanas antes do segundo turno das eleições presidenciais, as campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificaram a mobilização digital por meio de canais de WhatsApp — "Tropa do Flávio" e "Exército do Lula", respectivamente — com o objetivo de reduzir a abstenção eleitoral e engajar o eleitorado em regiões estratégicas.
Contexto Institucional e Estratégias Digitais
De acordo com a Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a utilização de grupos no aplicativo WhatsApp para divulgação de campanha é permitida, desde que observados os limites estabelecidos pela legislação eleitoral, incluindo a transparência na origem dos recursos e a conformidade com as normas da plataforma.
As campanhas dos candidatos, por meio de aliados estratégicos, estruturaram comunidades digitais que distribuem conteúdos temáticos, incentivam o compartilhamento e orientam apoiadores a combater desinformação, numa iniciativa coordenada que busca otimizar o alcance direto ao eleitor em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, conforme prioridade anunciada pelo comando da campanha de Lula para o segundo turno.
Mais de 4 milhões de eleitores ativos em grupos de WhatsApp vinculados às campanhas presidenciais já estão engajados em ações de mobilização direta nos principais colégios eleitorais.
Repercussão Jurídica e Desafios Regulatórios
A decisão da Justiça Eleitoral de suspender temporariamente o "Exército do Lula" gerou forte reação dos aliados do presidente Lula, entre eles o deputado Janones (PV-MG), que acusou a instituição de censura e defendeu a legitimidade da organização espontânea dos apoiadores.
Enquanto isso, o deputado Nikolas (PL-GO) inaugurou oficialmente o canal "Tropa do Flávio", reforçando a estratégia de comunicação direta e descentralizada adotada pelos bolsonaristas para contornar restrições institucionais.



