A Justiça de São Paulo confirmou, em decisão de 21 de agosto de 2024, a manutenção da prisão preventiva da advogada, influenciadora e empresária Deolane Bezerra e de mais cinco envolvidos na O peração Vérnix, investigação que apura suposto esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com foco na preservação da ordem pública, econômica e na efetividade da instrução criminal. A medida, já vigente há 90 dias desde a detenção de Bezerra em 27 de agosto, foi reavaliada pelo magistrado com base na gravidade das imputações e na necessidade de garantir a continuidade das apurações.
Contexto Institucional e Antecedentes da O peração Vérnix
A O peração Vérnix, coordenada pelo Ministério Público de São Paulo, desdobrou-se em três núcleos investigativos — decisório, operacional e financeiro — para mapear a estrutura de lavagem de ativos do PCC, com foco particular no papel de Deolane Bezerra como principal operadora do núcleo financeiro, responsável por intermediar a conversão de recursos ilícitos em bens de alto valor econômico por meio de contas vinculadas a empresas fictícias. A denúncia inicial, apresentada em setembro de 2023, destacou a participação de Marco Willians Herbas Camacho (Marcola) e seu sobrinho Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior no núcleo decisório, enquanto Deolane teria atuado na dissimulação sistemática de valores por meio de movimentações bancárias complexas e aquisição de imóveis em regiões nobres da capital paulista.
O juiz responsável pela ação, ao analisar o cumprimento dos 90 dias de prisão preventiva da réu em 21 de agosto, considerou que a manutenção da medida obedecia aos pressupostos legais previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal, especialmente quanto à garantia da ordem pública, à necessidade de esclarecer fatos complexos e à aplicação rigorosa da lei penal. A decisão reforçou que a prisão não se limitava ao risco imediato de fuga, mas visava assegurar a integridade da investigação e a segurança institucional.
A Justiça manteve a prisão preventiva de Deolane Bezerra e cinco réus após 90 dias de detenção preventiva em caso que apura esquema milionário de lavagem de dinheiro do PCC.
Repercussão Legal e Desafios na Continuidade das Apurações
A defesa de Deolane Bezerra classificou a decisão como 'desproporcional' e 'ilegal', argumentando que sua inocência seria comprovada pelas movimentações financeiras registradas em contas empresariais vinculadas à sua consultoria jurídica e aos honorários advocatícios recebidos regularmente. O s advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes protocolaram pedido de revogação com base na ausência de indícios concretos de vínculo com organização criminosa.
As autoridades continuam com buscas judiciais e diligências para localizar Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos do líder Marcola, que respondem por envolvimento direto nos fluxos financeiros do esquema. O Ministério Público mantém o prazo para oferecer nova denúncia até 30 dias após o envio da decisão, sob pena de arquivamento.



