Na terça-feira (8), um perfil de esquerda no Instagram que repostou um vídeo sem áudio de 2014 — registrando uma mulher dançando em Ibiza, na Espanha — e que circulava sob a legenda falsa de que a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) a havia filmado, foi alvo de determinação judicial para remoção imediata, após decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina.
Contexto Histórico e Institucional da Circulação do Conteúdo
A apuração revelou que o vídeo, gravado em 2014 quando Júlia Zanatta ainda não ocupava mandato parlamentar, foi publicado pelo perfil "Pesquisas e Análises Eleições", conhecido por divulgar conteúdos críticos a autoridades e por manter vínculos ideológicos com setores da direita; embora o material não contenha áudio e não apresente a imagem da deputada, as legendas atribuíam indevidamente a autoria e a participação dela no registro, além de associar as cenas a críticas negativas à figura pública.
O episódio reacendeu tensões políticas e gerou estranheza ao constatar que a conta oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue o mesmo perfil no Instagram, configurando um fenômeno de coincidência ideológica e amplificando a visibilidade do conteúdo antes da intervenção judicial.
A Justiça Eleitoral de Santa Catarina determinou a retirada imediata do vídeo por atribuir falsamente à deputada Júlia Zanatta participação e autoria inexistentes em imagem que não a retrata.
Repercussão Política e Desdobramentos Imediatos
O posicionamento do TRE-SC destacou que as legendas foram elaboradas com propósito distorcido, configurando violação à transparência eleitoral ao associar imagens reais a figuras públicas sem respaldo factual, fato este que pode acarretar sanções por abuso de poder político em contexto eleitoral.
Enquanto os representantes da campanha de Zanatta recusaram comentários formais, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçou a necessidade de preservação da isonomia nas narrativas digitais, e especialistas apontam que o caso deve servir como referência para futuras investigações sobre desinformação institucionalizada nas redes.



