O Senado do Paraguai rejeitou o pedido do presidente Santiago Peña para prorrogar em 72 horas o prazo de apresentação da defesa no processo de impeachment. A decisão foi comunicada pelo presidente do Congresso paraguaio, Basílio Nuñez, que informou que Peña ou um representante deve comparecer presencialmente ao Legislativo em 30 minutos para o julgamento.
O processo foi aberto pela Câmara dos Deputados por unanimidade, com 78 votos, mesmo após Peña renunciar ao cargo. A oposição alega que a renúncia foi estratégica para tentar manter o foro privilegiado de senador vitalício, benefício garantido a ex-presidentes no Paraguai.
Para que Santiago Peña seja destituído, será necessário o apoio de dois terços dos senadores. O pedido de impeachment foi apresentado por um grupo de 35 deputados devido ao envolvimento do presidente com o Banco Ueno, que faliu e deixou parte da população sem acesso ao dinheiro.
Os deputados acusam Peña de promover alterações na lei de conflito de interesses e permitir a concentração de bilhões de guaranis em garantias do Instituto de Segurança Social (IPS) na instituição financeira, ultrapassando os limites legais. Também criticam a nomeação de Carlos Cavallo, então presidente da Financeira Ueno, para a presidência do Banco Central do Paraguai; Cavallo renunciou após a crise e protestos no país.
Além do trâmite político, o Ministério Público paraguaio instaurou investigação formal contra o presidente, apurando ligação com o Ueno Bank e supostos crimes como enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção, fraude administrativa e tráfico de influência.



