A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou nesta quinta-feira (5/11) a abertura do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A votação foi unânime, com os 78 deputados presentes favoráveis à continuidade do rito, que agora segue para o Senado, onde são necessários dois terços dos senadores para aprovar ou rejeitar o impeachment.
O pedido foi apresentado por um grupo de 35 deputados após a crise bancária gerada pela dissolução do Banco Ueno, o maior banco digital do país. O banco foi dissolvido na terça-feira (3/11) pelo Banco Central paraguaio depois que seu nível de solvência caiu para menos da metade do exigido, resultando na prisão de oito executivos e em investigações do Ministério Público por suposta manipulação patrimonial e esquemas de contratos com empresas ligadas aos controladores.
Santiago Peña era acionista do grupo controlador do banco, a Ueno Holding, até 2025. Além disso, o Banco Ueno abrigava recursos públicos do Paraguai, incluindo valores da previdência social. Os parlamentares acusam o presidente de alterar legislações para permitir a concentração elevada de garantias do Instituto de Segurança Social (IPS) naquela instituição financeira.
Os deputados decidiram não abrir processo de impeachment contra o vice-presidente, Pedro Alianna. Caso Peña seja destituído, Alianna assumirá a presidência. O último impeachment presidencial no Paraguai ocorreu em 2012, com a destituição de Fernando Lugo.



