A saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos gerou repercussões nas relações diplomáticas entre os dois países. Para Priscila Caneparo, pós-doutora em Direito Internacional, a concessão do visto humanitário inevitavelmente criou uma tensão, embora ela tenha esclarecido que ele não possui status de asilado político até o momento.
A especialista afirmou que não há indícios de ilicitude no episódio e que uma ruptura mais grave só ocorreria caso ficasse comprovado que os Estados Unidos auxiliaram ativamente a saída dele do território brasileiro. Ela apontou as atuações de Marco Rubio como o ponto central da questão, destacando que ele afirmou ter encabeçado a ideia de levar Flávio Bolsonaro aos EUA.
Priscila Caneparo avaliou que o interesse de Rubio em consolidar uma zona de influência de governos de direita na América Latina torna o governo brasileiro um obstáculo para ele. No entanto, considera pouco provável que o episódio cause um impacto profundo e duradouro nas relações bilaterais.
Sobre a reunião bilateral entre Marco Rubio e Mauro Vieira antes do G20, a especialista afirmou que a abertura para o encontro já é um sinal positivo. Ela mencionou ainda que 25 deputados democratas solicitaram explicações à administração Trump sobre as ações relacionadas a Flávio Bolsonaro, o que exigirá justificativas de Rubio diante da sociedade internacional.
Quanto ao risco para as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, Priscila Caneparo demonstrou cautela e afirmou que não vê risco imediato. Ela ressaltou que o cenário poderá mudar dependendo do resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.



