Na terça-feira, 13 de setembro de 2024, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, relatório de 200 páginas resultante da perícia realizada no celular de Daniel Vorcaro e de seu cunhado Fabiano Zettel, no qual são descritas mais de dez reuniões entre o banqueiro e o ministro Dias Toffoli, além de referências a pagamentos e conversas envolvendo a empresa familiar Maridt e o resort Tayayá, situados no Paraná.
Apuração da O peração Master e Estrutura do Inquérito
A Polícia Federal concluiu o levantamento forense baseado em dados extraídos de dispositivos móveis vinculados ao caso Banco Master, que incluiu a análise de mensagens, registros financeiros e agendas pessoais de Daniel Vorcaro, proprietário do banco, e de Fabiano Zettel, seu cunhado, cujos aparelhos foram submetidos a exame pericial em caráter sigiloso; o material, composto por 200 páginas, identificou padrões de contatos reiterados com o ministro Dias Toffoli, incluindo menções a transferências monetárias e negociações comerciais com a Maridt, empresa ligada à família do magistrado, e ao resort Tayayá, que integra o complexo hoteleiro familiar.
O inquérito, instaurado em 2023 sob sigilo judicial, visa apurar possíveis atos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro praticados por meio da operação de crédito irregular do Banco Master, com base em indícios obtidos mediante mandado judicial e cooperação da própria PF; até o momento, não há denúncia formal ou sentença condenatória, mas as informações entregues ao STF servem para subsidiar eventuais decisões judiciais sobre a admissibilidade das provas ou a necessidade de abertura de nova investigação.
As apurações reforçam um cenário de tensão institucional entre os poderes Judiciário e Executivo, já que a PF buscou garantir transparência ao entregar os dados ao presidente da Corte sem prejuízo da reserva processual prevista no Código de Processo Penal.
Mais de dez encontros documentados entre Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli durante perícia do Banco Master.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Processuais
A entrega do relatório ao ministro Fachin ocorreu em um momento de intenso debate sobre a imparcialidade das investigações envolvendo autoridades supremas; Fachin declarou que nenhum fato ou agente ficará à margem da apuração, reforçando o compromisso institucional com a transparência processual e o respeito às prerrogativas constitucionais do STF.
Caso Toffoli seja formalmente indiciado com base nas evidências apresentadas, a expectativa é que haja suspensão preventiva automática por decisão do próprio STF ou por solicitação do Ministério Público Federal; além disso, a PF deve organizar novo relatório segmentado por ministros caso o tribunal entenda necessário avançar na análise individualizada das provas.


