Na pequena cidade de Arcugnano, no norte da Itália, um anfiteatro construído com mão de obra moderna e materiais importados tornou-se o palco de uma operação judicial que culminou na prisão de seu criador, Franco Malosso, por falsificação de obras de arte, edificação ilegal e degradação de paisagem protegida após uma batalha legal que durou uma década.
Contexto Histórico e Jurídico da Construção Ilícita
A estrutura, erguida em uma encosta coberta por mata protegida nos arredores de Vicenza, foi identificada como um teatro em forma de leque — e não como anfiteatro oval — segundo laudos periciais apresentados no tribunal de Monza. Malosso, autoproclamado 'descobridor' de um sítio arqueológico de 5.000 metros quadrados, utilizava máquinas modernas para levantar assentos e degraus supostamente inspirados em arquitetura grega, enquanto empregava pedra da Puglia, cimento e poliestireno em evidente contraste com as alegações de autenticidade histórica.
A apuração conduzida pelo Núcleo de Tutela do Patrimônio Artístico (TPC) dos Carabinieri, sob comando do tenente-coronel Giuseppe Marseglia, revelou que a construção foi realizada sem autorização ambiental e cultural, configurando crime contra o patrimônio cultural e ambiental, além de falsificação documental que incluiu a apresentação de obras supostamente antigas em exposições judiciais.
Franco Malosso cobrou até 46 dólares por acesso a um monumento construído com cimento, poliestireno e estátuas de gesso em apenas dez anos de litígio judicial.
Repercussão Institucional e Consequências Legais
A decisão judicial que resultou na prisão de Malosso incluiu acusações de falsificação documental, desobediência a normas ambientais e destruição deliberada de área protegida, com penas previstas no Código Penal italiano que podem chegar a quatro anos de reclusão e multas superiores a 10 mil euros.
O caso gerou forte repercussão no Ministério da Cultura da Itália e no Conselho Nacional do Patrimônio, que anunciaram endurecimento das fiscalizações em sítios arqueológicos não registrados e criaram um grupo especializado para monitorar construções irregulares em áreas de proteção ambiental.



