Na manhã de 28 de setembro de 2023, a O peração Merx, coordenada pelo Ministério Público de São Paulo e o Gaeco, deflagrou um marco na investigação de um esquema de extorsão contra contrabandistas de eletrônicos na Grande São Paulo, resultando na apreensão de até R$ 4 milhões em bens vinculados a dois policiais civis com salários brutos inferiores a R$ 8,6 mil, incluindo embarcações de luxo, imóveis residenciais e participação societária em cinco empresas.
Contexto Institucional e Histórico da Investigação
A apuração, iniciada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime O rganizado), identificou que os policiais civis cobravam valores equivalentes a até 70% do valor das cargas de eletrônicos contrabandeados para liberar veículos ou devolver mercadorias apreendidas, configurando prática sistemática de extorsão com uso de poder público para proteção e liberação seletiva de ilícitos.
O inquérito patrimonial revelou que o investigador-chefe Marcos Vinicius de Souza Melo, com remuneração bruta mensal de R$ 8.523,77 em março de 2026, aparece como proprietário de duas embarcações — 'Seu Valdir' e 'Marcolinha e Bia' —, além de imóveis em Barueri e Maresias, e é sócio ou administrador de cinco empresas registradas com alterações societárias no segundo semestre de 2024, levantando indícios fortes de lavagem de valores oriundos das práticas extorsivas.
Até R$ 4 milhões em bens dos investigados foram bloqueados e sequestrados pela Justiça sob suspeita de serem provenientes de lavagem de valores obtidos mediante extorsão.
Repercussão Jurídica e Caminhos da Investigação
A decisão judicial que autorizou o bloqueio patrimonial foi proferida pelo juiz Djalma Moreira Gomes Junior, quien destacou que a aquisição subsequente de bens por leilão — como terrenos em Caieiras, Barueri e Sorocaba — poderia constituir mecanismo para conferir aparência lícita a recursos ilícitos, justificando a extensão das medidas precautórias.
As manifestações dos envolvidos ainda são aguardadas, mas o Ministério Público sinaliza que as mudanças societárias realizadas entre julho e dezembro de 2024 nas empresas ligadas aos suspeitos podem indicar tentativa de dissolução ou transferência controlada do patrimônio, demandando análise aprofundada das movimentações financeiras e imobiliárias.



