A direção da Fifa priorizou a geração de receitas recordes em detrimento dos direitos humanos durante a preparação para a Copa do Mundo de 2026, conforme evidenciado por relatório publicado em 13 de abril de 2025, que aponta negligência na proteção de torcedores, jornalistas e demais públicos vulneráveis frente às restrições migratórias e à ausência de fiscalização efetiva.
Diagnóstico da Inércia Institucional e Desafios Migratórios
O levantamento da Sport & Rights Alliance, organização dedicada à defesa dos direitos humanos no esporte, revelou que a Fifa dependeu excessivamente dos governos dos países-sede — México, Canadá e Estados Unidos —, das autoridades locais e de entidades externas para confrontar violações sistemáticas, como barreiras de acesso, processos seletivos discriminatórios e interrogações rigorosas nas fronteiras que afetaram profissionais e torcedores, sobretudo cidadãos de nações sujeitas a políticas migratórias restritivas.
O documento destacou a inexistência de diretrizes claras, mecanismos de fiscalização operacionais e sanções aplicáveis para garantir o respeito aos direitos fundamentais, além da concessão do Prêmio da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em clara contradição com os princípios estabelecidos na Política de Direitos Humanos da entidade desde 2017.
O torneio de 2026, que reúne 48 seleções pela primeira vez em três países, será marcado por restrições migratórias generalizadas e pela ausência de compromisso institucional com a proteção efetiva dos direitos humanos.
Repercussão O ficiais e Caminhos para a Transparência
Em resposta à Sport & Rights Alliance, o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, reconheceu que o relatório 'levanta preocupações importantes' e assegurou que um documento próprio sobre direitos humanos e sustentabilidade na Copa de 2026 será divulgado antes do evento, contendo 'evidências e contexto adicionais importantes' com abordagem equilibrada.
Um porta-voz da entidade reafirmou o orgulho pelos resultados esperados do torneio, afirmando que a Fifa continuará a trabalhar de forma aberta com as partes interessadas para fortalecer sua governança e compromissos com os direitos humanos.



