Na manhã de sábado, 10 de outubro, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) formalizou à Polícia Federal uma notícia-crime que requer a inclusão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como investigado na O peração Sem Desconto, operação que apura descontos irregulares em benefícios previdenciários do INSS, com base em comunicações eletrônicas que evidenciam vínculos financeiros entre o parlamentar e o advogado Willer Tomaz, figura central no cerne da investigação.
Investigação e Estrutura da O peração Sem Desconto
A O peração Sem Desconto, instaurada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em 2024, foca na análise de movimentações suspeitas em contas vinculadas a beneficiários do INSS que recebem benefícios superiores ao teto legal, com indícios de repasses indevidos por meio de estruturas financeiras intermediárias; os registros indicam que o perfil de acesso 'Flávio Bolsonaro' foi associado ao mesmo padrão de login utilizado pelo advogado Willer Tomaz, investigado por movimentação atípica de recursos e uso de plataformas logísticas para encaminhamento de valores.
O petista sustenta, com base na análise pericial dos e-mails obtidos pela PF, que a permanência do número de acesso no sistema bancário após maio de 2025 — data em que a vinculação foi desfeita — reforça a necessidade de desdobramentos investigativos que verifiquem eventuais fluxos financeiros não declarados entre o senador e o escritório jurídico vinculado a Willer, configurando possível participação em esquema de sonegação ou favorecimento ilícito.
A O peração Sem Desconto apura desvios estimados em mais de R$ 200 milhões em benefícios previdenciários indevidamente creditados ao longo dos últimos dois anos.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Legais
A formalização da denúncia por Lindbergh atinge diretamente o núcleo familiar do ex-presidente Jair Bolsonaro, colocando Flávio sob escrutínio jurídico intenso em um momento estratégico de pré-campanha eleitoral, com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já acionado para apurar regularidade de ativos declarados.
O governo federal acionou mecanismo de proteção à testemunha Ana Elisa após ameaças registradas no âmbito da operação, enquanto a Procuradoria-Geral Eleitoral foi requisitada a analisar possíveis infrações à Lei das Eleições derivadas da movimentação de recursos em plena fase eleitoral.



