Fenômeno pode alterar as temperaturas e o regime de chuvas na capital paraense, que já registrou mais de 1,2 mil casos confirmados da doença em 2026
O El Niño e as altas temperaturas aumentam a preocupação com a dengue em Belém. O fenômeno, que pode provocar mudanças no clima e reduzir o volume de chuvas em algumas regiões, também chama atenção para os cuidados dentro de casa. Isso porque o calor, junto com a água parada, favorece a reprodução do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da dengue, zika e chikungunya.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), a capital registrou 2.765 notificações de dengue entre janeiro e setembro deste ano. Desse total, 1.261 casos foram confirmados. Em todo o ano de 2025, foram 950 confirmações, número que já foi ultrapassado em 2026.
O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal, o que pode interferir nas chuvas e nas temperaturas em diferentes partes do mundo. Na Amazônia, um dos possíveis efeitos é o aumento do calor e a redução das chuvas. Apesar disso, não há dados que comprovem uma relação direta entre o fenômeno e os casos de dengue registrados em Belém.
Cuidados precisam continuar mesmo com pouca chuva
O mosquito da dengue não precisa de grandes quantidades de água para se reproduzir. Um recipiente esquecido no quintal, uma calha entupida ou até um vaso de planta podem se tornar criadouros. Por isso, a recomendação é não deixar os cuidados apenas para os períodos mais chuvosos.
Moradora da Pratinha, a enfermeira e bombeira civil Alenilza Pinheiro, de 28 anos, conta que costuma observar os espaços da casa para evitar o acúmulo de água.
“Estou sempre de olho em possíveis focos de água parada, faço recolhimento do lixo de forma correta e também a manutenção de quintais e vasos de plantas, evitando ter água parada por perto”, afirma.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que mantém ações de combate ao Aedes aegypti, principalmente nos bairros onde há maior presença do mosquito. O trabalho inclui visitas dos agentes de endemias, orientações aos moradores e identificação de locais que possam acumular água.
Shirley Santos, chefe da Divisão de Controle de Endemias da Sesma, explica que o calor pode acelerar o desenvolvimento do mosquito, tornando os cuidados ainda mais importantes.
“Durante os períodos de altas temperaturas, é fundamental redobrar os cuidados, pois o calor pode acelerar o desenvolvimento do mosquito e, quando associado à disponibilidade de água parada, favorecer sua proliferação”, alerta.
A secretaria também utiliza Estações Disseminadoras de Larvicidas, equipamentos instalados em áreas prioritárias que permitem que o próprio mosquito transporte o produto até outros possíveis criadouros, ajudando a impedir o desenvolvimento das larvas. Entre as orientações para os moradores estão manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas, verificar vasos de plantas, lavar os recipientes dos animais e retirar objetos que possam acumular água. São cuidados simples, mas que precisam ser feitos com frequência.
Onde buscar a vacina e denunciar focos?
A vacina contra a dengue está disponível em unidades de saúde de Belém, conforme a faixa etária atendida e a disponibilidade de doses. Antes de procurar um ponto de vacinação, a orientação é confirmar os horários e os critérios de atendimento.
Quem identificar possíveis focos do mosquito pode entrar em contato com a Divisão de Controle de Endemias da Sesma pelo Disque Endemias, no número (91) 98402-0894.



