Na quinta-feira (15), o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestará novo depoimento à Polícia Federal por videoconferência, em pronunciamento crucial para a apuração da fraude de R$ 12 bilhões envolvendo a compra de cartas podres e o pagamento de propina em imóveis de luxo vinculados ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Contexto Institucional e Procedimentos da Apuração
A Polícia Federal encontra-se em fase avançada de investigação que apura a prática de fraude cambial no valor de R$ 12 bilhões, referente à aquisição irregular de carteiras de câmbio subvalorizadas – denominadas 'cartas podres' – por meio da negociação entre o Banco Master e o BRB, banco estatal de Brasília. Segundo documentos obtidos por meio de busca e apreensão no celular de Vorcaro, a contrapartida financeira totalizou R$ 150 milhões, distribuída em propina para seis imóveis de luxo localizados em Brasília e São Paulo, com envolvimento direto do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A apuração também revelou movimentações suspeitas na estrutura de governança corporativa do Master, evidenciando padrões sistemáticos de corrupção que se estenderam ao âmbito público-privado.
Antecedentes indicam que o caso já havia sido alvo da O peração Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, quando Vorcaro foi inicialmente preso sob suspeita de liderar esquema de corrupção sistêmica dentro do Banco Master. Após 12 dias na prisão, foi solto sob fiança, mas a prisão preventiva foi prorrogada em março deste ano devido a indícios de continuidade dos atos ilícitos. O afastamento definitivo de Paulo Henrique Costa da presidência do BRB completa um ano no próximo mês, consolidando o caráter institucional da medida como resposta às denúncias.
A PF investiga fraude cambial que movimentou R$ 12 bilhões e gerou pagamentos de propina totalizando R$ 150 milhões em seis imóveis de luxo.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Futuro
A expectativa institucional é de que o novo depoimento de Vorcaro forneça elementos decisivos para a formulação de denúncias formais junto ao Ministério Público Federal (MPF) e para a eventual aplicação de sanções administrativas e criminais com base na Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013). O Ministério da Economia e a Controladoria-Geral da União (CGU) já sinalizaram monitoramento rigoroso dos fluxos financeiros do BRB, enquanto o Banco Central deve avaliar eventuais impactos na saúde financeira da instituição pública.
O desfecho provável inclui a designação de nova presidência temporária no BRB após o afastamento definitivo de Paulo Henrique Costa, com foco na reestruturação dos controles internos e na transparência das operações cambiais. A PF deve, em seguida, encaminhar o caso ao MPF para análise da denúncia formal, enquanto o Judiciário analisa a manutenção ou não da prisão preventiva de Vorcaro.



