O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) formalizou, na terça‑feira (15/9), a aprovação sem restrições da aquisição da fabricante brasileira de defesa Avibras pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, proprietários do grupo J&F, por intermédio do family office Globe Investimentos, conforme registrado no Diário O ficial da União.
Contexto Institucional e Histórico da O peração
A decisão foi proferida pela Superintendência‑Geral do Cade, que concluiu que a operação não gera riscos concorrenciais ao considerar que os adquirentes não atuam no setor de defesa nem em mercados afins, configurando, assim, uma substituição de agente econômico isenta de efeitos de integração vertical ou sobreposição de atividades.
O s antecedentes revelam que a Avibras Aeroco, holding que controla a Avibras Aeroco – empresa que reúne os ativos industriais e tecnológicos da tradicional fabricante – encontra‑se em fase avançada de reestruturação prevista para 2025, com previsão de retomada das operações plena em 2026 após aporte de recursos privados e isolamento dos passivos.
Fundada em 1961, a Avibras consolidou‑se como uma das principais desenvolvedoras de sistemas de artilharia, mísseis e foguetes no Brasil, mas nos últimos anos enfrentou grave crise financeira, culminando na entrada em recuperação judicial em 2022 após acumular dívidas e paralisar suas atividades diante de greves provocadas por falta de pagamento.
A nova estrutura empresarial prevê a separação dos ativos operacionais das obrigações decorrentes da recuperação judicial, possibilitando a viabilidade da retomada productiva no próximo exercício.
A compra da Avibras pelo Grupo J&F, sem restrição de concorrência, injetará recursos privados para viabilizar a retomada das atividades em 2026.
Repercussão Jurídica e Estratégica no Setor de Defesa
A aprovação do Cade foi acompanhada pela manifestação dos próprios investidores, que destacaram o compromisso de reforçar a capacidade tecnológica nacional e garantir a continuidade dos projetos estratégicos da Avibras, além de contribuir para o fortalecimento da indústria nacional de defesa.
Especialistas apontam que a entrada dos Batista no mercado aeroespacial pode acelerar a consolidação da nova holding e viabilizar a conclusão das obras previstas para 2025, abrindo caminho para o reerguimento completo da empresa ainda neste ano.



