No Aeroporto Internacional de Guarulhos, o banqueiro Daniel Vorcaro, preso em 17 de novembro de 2025 durante tentativa de embarque em jato privado com destino a Dubai, afirmou não se recordar do destinatário de mensagem enviada ao ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, em contexto relacionado à operação de venda do Banco Master à Fictor Holding e fundo dos Emirados Árabes Unidos.
Apuração Policial e Documentação Digital
A Polícia Federal identificou, por meio de prints extraídos do celular de Vorcaro, mensagens trocadas com o ministro Alexandre de Moraes desde pelo menos 2023, conforme relatório técnico divulgado após a retirada do sigilo por André Mendonça em 1º de setembro; os diálogos, registrados no aplicativo Notas e repassados via WhatsApp, revelam interações diretas durante a negociação da venda do Banco Master, que envolvia investidores estrangeiros e consórcio liderado pela Fictor Holding.
Conforme depoimento gravado em 28 de agosto de 2025, o banqueiro alegou não se lembrar do nome do destinatário da mensagem em questão, afirmando tratar-se de comunicação relativa à transação bancária em andamento, sem identificar interlocutor específico, o que configura omissão hesitante diante da pressão investigativa da delegacia coordenada pelo delegado Albert Paulo Sérvio de Moura.
O banqueiro Daniel Vorcaro negou qualquer conhecimento sobre o destinatário da mensagem enviada ao ministro Alexandre de Moraes em outubro de 2025, em contexto de operação bancária vinculada à venda do Master.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Jurídicos
A Procuradoria-Geral da República e o Ministério Público Federal aguardam posicionamento técnico sobre a disponibilidade das mensagens como elemento probatório no inquérito que investiga possível intersecção entre atores políticos e operadores financeiros no caso Master; a PF já comunicou que pode encaminhar cópias integras do conteúdo extraído do celular de Vorcaro ao STF para análise judicial.
Especialistas em direito administrativo apontam que a produção dessa evidência pode embasar denúncias de abuso de poder ou influência indevida no processo decisório do magistrado, enquanto a defesa de Vorcaro busca evitar o uso das comunicações para prejudicar o banqueiro ou comprometer eventuais acordos colaborativos futuros.



