O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, conseguiu suspender os patrocínios de R$ 32 milhões que o governo estadual destinaria aos clubes Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG. A medida foi anunciada pelo atual governador, Mateus Simões, em setembro, durante o período eleitoral. A decisão do TCE-MG foi assinada na terça-feira (3/11) e ocorre em meio a desentendimentos entre os dois gestores durante o processo de transição.
Cleitinho classificou a iniciativa como “eleitoreira” e questionou o uso de recursos estatais para o futebol enquanto o estado enfrenta dificuldades financeiras. Em vídeo nas redes sociais, ele afirmou que não aceita retirar mais de R$ 30 milhões das empresas Cemig e Codemig para investir em times, citando prioridades como o pagamento de servidores e a falta de merenda em escolas estaduais.
O relator do TCE-MG destacou que não houve apresentação de estudos técnicos capazes de comprovar o retorno institucional dos investimentos para as patrocinadoras. A decisão aponta ainda que os valores foram calculados com base nas perdas financeiras dos clubes decorrentes da proibição das bets no Brasil, e não necessariamente no interesse das empresas estatais.
O embate faz parte de um cenário mais amplo de atritos entre Cleitinho e Simões, que permanece no cargo até janeiro de 2027. Desde a vitória nas urnas, o governador eleito cobrou mais transparência na transição e criticou a previsão de déficit de R$ 10,5 bilhões para 2027. Simões afirmou que seguirá exercendo suas prerrogativas até o fim do mandato e encaminhou à ALMG propostas relacionadas a promessas de campanha do sucessor, como a redução do IPVA.



