O ex-grão-mufti da Síria Ahmad Badreddin Hassoun, figura central do aparato religioso do governo de Bashar al-Assad entre 2005 e 2021, foi sentenciado à prisão perpétua em 24 de agosto de 2025 pelo Tribunal de Justiça da Síria, após ser considerado culpado de incitação à violência, justificativa de homicídios e abuso de poder, crimes cometidos durante décadas de atuação no contexto da guerra civil.
Apuração e Contexto da Sentença Judicial
A decisão do tribunal, proferida após julgamento iniciado em 25 de junho de 2025, consolidou uma série de acusações que vinculam Hassoun à promoção sistemática de violência sectária e ao uso indevido de sua autoridade religiosa para legitimar execuções extrajudiciais.
O ex-funcionário público, que ocupou o cargo de máximo representante da instituição religiosa estatal durante o auge do regime assadista, deixou o país em fevereiro de 2025 ao se abrigar em território libanês, retornando a Damasco em março sob circunstâncias ainda não esclarecidas, quando foi apreendido pelas autoridades sírias no aeroporto internacional da capital.
A sentença inclui 30 anos de prisão somados à obrigação de indenizar as famílias das vítimas dos crimes cometidos sob sua liderança.
Repercussão Política e Desafios da Transição Pós-Assad
A decisão judicial representa um marco na tentativa de responsabilização por atrocidades cometidas durante a guerra civil síria, mesmo com a ausência de um governo centralizado efetivo no país desde o afastamento de Assad em dezembro de 2024.
Enquanto o novo governo transitório, liderado por Mohammed al-Sharaa, enfrenta a complexa tarefa de reconstruir instituições e promover reconciliação nacional, a sentença contra Hassoun sinaliza um compromisso com a justiça transicional, embora especialistas apontem para a necessidade de maior abrangência nas investigações sobre violações humanas.



