O jogo entre São Paulo e Boca Juniors, disputado em 15 de setembro de 2026 no estádio do Morumbis, pela volta das quartas de final da Copa Sul-Americana, gerou um dos lances mais controversos da competição, com a anulação do gol marcado por Ryan Francisco após confirmação de impedimento de Luciano por intermédio do VAR. A decisão, tomada após análise manual da linha de impedimento, evidenciou a limitação tecnológica da Conmebol, que utiliza o impedimento semiautomático apenas nas finais da Libertadores e da Sul-Americana, diferentemente da CBF, que implementou o recurso já nas quartas de final da Copa do Brasil de 2026.
Contexto Institucional e Técnico da Decisão
A polêmica centrou-se na aplicação do impedimento semiautomático (SAOT), tecnologia disponível desde 2024 nas fases decisivas da Libertadores e Sul-Americana, mas restrita à final pela Conmebol devido a restrições orçamentárias e logísticas inerentes à operação em múltiplos países. O lance ocorreu aos 37 minutos do segundo tempo, quando Luciano recebeu passe em profundidade e desviou para Ryan Francisco, que concluiu com precisão. A análise do VAR foi realizada manualmente, com a linha traçada pelos árbitros assistentes após revisão das imagens das 24 câmeras especializadas, conforme protocolos vigentes no torneio continental.
Antecedentes revelam que a adoção do SAOT pela CBF em 2026 foi viabilizada graças à expansão prévia do sistema no Brasileirão, onde os estádios já dispunham da infraestrutura necessária desde a 20ª rodada. Em contraste, a realidade sul-americana exige investimento individual em cada clube, o que inviabiliza uma padronização ampla sem comprometer a viabilidade técnica e financeira das fases anteriores à final.
A anulação do gol de Ryan Francisco validou o impedimento manual por um milímetro, evidenciando a limitação tecnológica da Conmebol em fases não decisivas.
Repercussão e Desdobramentos Futuro
A Conmebol rebateu as críticas afirmando que a adoção pontual do SAOT nas finais assegura precisão máxima nos momentos decisivos, mesmo com custo elevado de implantação em múltiplos estádios. A entidade destacou que o protocolo atual prioriza a uniformidade na fase final, onde os recursos técnicos são concentrados e testados previamente para evitar injustiças em decisões cruciais.
Especialistas apontam que a manutenção do impedimento manual nas quartas e semifinais pode gerar nova polêmica caso lances similares ocorram, sobretudo com o aumento da exigência por precisão milimétrica. O São Paulo enfrenta agora o desafio de reverter o placar adverso na próxima partida, enquanto a Conmebol deve avaliar ajustes no protocolo tecnológico para as próximas edições do torneio.



