Em um episódio sem precedentes na história do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, formalizou sua insatisfação com a decisão de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao enviar ofício ao presidente da Segunda Turma, Luiz Fux, questionando o suposto acordo prévio entre os magistrados antes da votação, enquanto o próprio STF vive intenso racha institucional envolvendo investigações sobre a fraude do Banco Master e supostas trocas de mensagens com Daniel Vorcaro.
Contexto Institucional e Histórico da Decisão Controversa
O ministro Gilmar Mendes, por meio de ofício protocolado na última sexta-feira (11/9), manifestou sua preocupação com a conduta dos colegas da Segunda Turma do STF em afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com base em entendimento direto entre Luiz Fux e André Mendonça, sem prévia comunicação aos demais integrantes do colegiado de cinco ministros, violando o princípio de colegialidade estabelecido no Regimento Interno da Corte.
A apuração revelou que, em 8 de setembro, Fux e Kassio Nunes Marques votaram a favor do afastamento nove minutos após a abertura do plenário virtual — horário que coincide com o momento em que os magistrados teriam consolidado um 'prévio ajuste' não comunicado aos demais colegas — fato que motivou a intervenção de Flávio Dino no dia seguinte, ao reverter a decisão e reintegrar Rodrigues ao cargo, conforme registrado no deslinde de voto oficial.
A decisão de afastar Andrei Rodrigues ocorreu nove minutos após a abertura do plenário virtual em 8 de setembro, configurando suspeita de acordo prévio entre ministros antes da votação.
Repercussão Jurídica e Cenários Futuramente Definidos
A reintegração de Andrei Rodrigues pelo ministro Flávio Dino reforça a tensão entre o respeito ao rito processual e as pressões políticas internas ao STF, já que a decisão foi tomada em pleno contexto de investigações sobre supostas negociações envolvendo Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, cujas conversas teriam início em novembro de 2023, data da prisão do banqueiro em São Paulo.
Especialistas em direito constitucional apontam que a eventual configuração de vício na decisão — confirmada pela denúncia de Mendes acerca do 'prévio ajuste' não comunicado — pode gerar recurso ao plenário da Corte ou anulação da medida pelo próprio STF, enquanto a Procuradoria-Geral da República deve avaliar se há elementos para abrir inquérito sobre conduta ilícita dos magistrados.



