A Polícia Civil investiga um esquema suspeito no qual informações sigilosas sobre mortes recentes teriam sido obtidas ilegalmente em hospitais particulares, no Instituto Médico Legal (IML) e no Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) e repassadas a empresas funerárias. Com esses dados, as empresas abordariam familiares enlutados para oferecer serviços funerários por preços acima do mercado.
Na segunda fase da Operação Luctus, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em locais como a SP Regula, uma delegacia, um escritório de contabilidade e empresas do setor funerário. Entre os alvos estão um policial civil, um servidor municipal e empresários do ramo funerário.
A ação foi realizada pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil, pela Prefeitura de São Paulo e pela Controladoria-Geral do Município, após solicitação da Prefeitura. Um policial civil foi alvo de uma ordem de afastamento funcional, embora nenhum mandado de prisão tenha sido cumprido nesta fase, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Durante as buscas, agentes apreenderam 15 celulares, cinco computadores portáteis, dois tablets, um HD externo, uma CPU, um dispositivo USB, um aparelho Alexa, documentos, um relógio de pulso, quatro máquinas de cartão, cheques, dinheiro em espécie e moedas estrangeiras. Também foram recolhidas oito armas de fogo, dois veículos e uma lancha, que serão submetidos à perícia.
A investigação busca esclarecer como os dados sigilosos eram acessados e repassados, identificar os envolvidos e verificar falhas nos controles internos. A operação também visa identificar vulnerabilidades e aprimorar mecanismos de governança, integridade e proteção de informações sensíveis, além de combater corrupção, crime organizado e possíveis práticas de lavagem de dinheiro.
A funerária Velar afirmou que tomou conhecimento da operação pela imprensa e que ainda não teve acesso aos autos da investigação nem à decisão judicial. A empresa repudiou práticas ilegais, reafirmou compromisso com a conduta ética e o respeito às famílias e disse estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.



