Uma catástrofe natural de proporções inéditas assolou os vales montanhosos do Nepal na última quarta-feira (26), quando uma súbita ruptura de geleira desencadeou uma torrente de rochas, gelo, lama e detritos que varreu comunidades inteiras, deixando pelo menos 616 mortos e cerca de 2.500 desaparecidos, entre os quais aproximadamente 540 peregrinos estrangeiros da Índia, em especial hindus, segundo dados oficiais confirmados pelas autoridades do distrito de Chitwan e do governo nepalês.
Contexto Humanitário e Desafios na Gestão de Vítimas
As autoridades do distrito de Chitwan, sob a coordenação do administrador Ganesh Aryal, enfrentam o desafio monumental de identificar centenas de corpos carbonizados e em avançado estado de decomposição, já que apenas quatro dos 233 corpos recuperados até o momento foram reconhecidos formalmente; os necrotérios da região estão à beira da saturação, o que tem impedido o processo de identificação visual e exigido a coleta de amostras de DNA para futuras comparações genéticas, conforme relata a agência AP e confirmado por laudos técnicos do Ministério da Saúde nepalês.
O colapso da geleira, que ocorreu após intensas precipitações e instabilidade geológica nos Himalaias, gerou uma onda destrutiva que atingiu localidades próximas ao rio Devghat, considerada sagrada pelos hindus, onde centenas de peregrinos estavam concentrados; diante da impossibilidade de reconhecimento individual devido à lama e aos danos corporais, as autoridades planejam realizar o sepultamento em massa em uma vala comum às margens do rio, com marcação dos locais para facilitar eventuais identificações posteriores pelas famílias enlutadas.
A tragédia já cobrou 616 vidas e deixou mais de 2.500 pessoas desaparecidas, sendo cerca de 540 peregrinos hindus da Índia entre as vítimas não identificadas.
Repercussão Internacional e Desafios na Reconstrução
O governo nepalês declarou estado de calamidade e solicitou urgentemente assistência técnica e logística do exterior para o manejo dos corpos em decomposition e para a execução segura do sepultamento em massa, além da reconstrução das infraestruturas destruídas, com estimativas de custo entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para a recuperação das áreas afetadas.
Famílias desesperadas se reuniram em frente ao Campus Médico de Maharajgunj em Catmandu para identificar parentes por meio de fotografias, enquanto operações de busca e resgate foram temporariamente interrompidas neste sábado (29) devido às condições climáticas adversas, reforçando a necessidade urgente de soluções técnicas especializadas para evitar novos agravos humanos e estruturais.



