A cúpula de líderes dos Brics de 2023, realizada nos dias 12 e 13 de setembro em Nova Déli sob a presidência da Índia, reúne quase todos os membros fundadores do bloco após dois anos de ausência, com destaque para a participação em videoconferência do presidente russo Vladimir Putin, impedido de viajar por mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI), e a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que optou por ausentar-se para participar da 81ª Assembleia Geral da O NU em Nova York, em razão do calendário eleitoral brasileiro.
Contexto Institucional e Histórico da Cúpula
A reunião de alto nível dos Brics, que conta com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — país que integrou o bloco em 2019 após expansão inicial — ocorre em um momento de tensão geopolítica agravada pela guerra no O riente Médio e pelas disputas de influência entre as grandes potências, com a ausência dos líderes máximos do Brasil e da Rússia evidenciando fragilidades estruturais no mecanismo de cooperação.
A estratégia brasileira priorizou a participação na Assembleia Geral da O NU, onde Lula deve discursar a partir de 22 de setembro, ao invés da cúpula dos Brics, decisão justificada pela proximidade da reta final da campanha eleitoral e pela necessidade de posicionamento em fórum global, enquanto o Kremlin optou por manter o diálogo remoto, representado pelo ministro das Relações Exteriores Sergey Lavrov.
A cúpula reúne quase todos os membros fundadores do bloco após dois anos sem se reunirem pessoalmente com seus líderes máximos.
Repercussão Jurídica e Estratégica dos Desdobramentos
As ausências dos presidentes do Brasil e da Rússia geraram debates sobre soberania nacional versus obrigações internacionais, com o governo brasileiro defendendo a escolha como estratégica para preservação da agenda interna, enquanto o TPI reforça sua jurisdição sobre crimes de guerra relacionados à deportação de crianças ucranianas por Putin.
Especialistas apontam que a fragmentação crescente entre os membros — como o afastamento entre Índia e China devido à proximidade diplomática indiana com Israel e os EUA — pode comprometer a unidade do bloco, especialmente em temas sensíveis como comércio, energia e geopolítica regional.



