Cerca de 30 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais, uma crise institucional sem precedentes no Supremo Tribunal Federal – marcada pela troca de acusações entre ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, fundamentada em relatório da Polícia Federal que inclui mensagens de Daniel Vorcaro envolvendo encontros com Moraes, negociação de contratos entre o extinto Banco Master e o escritório da esposa de Moraes, e comunicações com Paulo Gonet e Andrei Rodrigues – revela desgaste institucional em pleno período eleitoral.
Contexto Institucional e Antecedentes da Crise no STF
A análise do relatório da Polícia Federal, obtido por intermédio do ministro André Mendonça, evidenciou diálogos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades como Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e o delegado-geral da PF Andrei Rodrigues, com indícios claros de negociação de contratos entre o extinto Banco Master e o escritório advocatício da esposa do ministro Alexandre de Moraes, além de menções a reuniões presenciais que sugerem proximidade suspeita entre os envolvidos.
O embate intensificou-se após a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, de encaminhar para apreciação do Plenário a discussão sobre as descobertas contidas no documento pericial, num momento em que a Corte enfrenta quórum incompleto desde a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso em 2023, decorrente da rejeição do Senado à nomeação proposta por Jair Bolsonaro – fato que compromete a composição plena da Casa e gera incerteza quanto à capacidade decisória da instituição.
O Supremo foi apontado como motivo de vergonha por 58% dos brasileiros em pesquisa Datafolha, nível semelhante ao de órgãos historicamente rejeitados pelos eleitores.
Repercussão Jurídica e Desafios para a Governabilidade do Tribunal
O ministro André Mendonça nega ter agido com interesse político na análise do caso Master, afirmando que sua conduta foi técnica e isenta, enquanto Alexandre de Moraes não se manifestou publicamente sobre o conteúdo do relatório da PF, apesar de ter negado anteriormente receber mensagens do celular do ex-banqueiro.
A decisão de Fachin de encerrar o inquérito 'do fim do mundo' simboliza o esforço para conter o desgaste institucional causado pela polarização entre ministros e pela percepção popular de parcialidade, em meio a um cenário em que o STF já registra rejeição elevada por parte da sociedade civil.


