A falência do Banco Ueno, maior banco digital do Paraguai, provocou uma crise política que resultou na queda do presidente Santiago Peña e deixou milhares de pessoas sem acesso aos valores investidos na instituição. O impacto agora se estende aos serviços públicos do país, com reflexos que devem se intensificar nos próximos dias.
Dados do governo paraguaio indicam que o banco concentrava recursos do Instituto de Seguridade Social, da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) e do Corpo de Bombeiros Voluntários. A situação já limita a atuação dos bombeiros, que operam com frota reduzida desde sexta-feira (6/11), e gera preocupação sobre a continuidade dos serviços de emergência.
O Corpo de Bombeiros Voluntários informou que aproximadamente 2 bilhões de guaranis, equivalente a US$ 313 mil, arrecadados em sua última coleta estão congelados no Banco Ueno, além de recursos próprios dos quartéis. A diretoria nacional afirma que a situação compromete a capacidade operacional e solicita que esses recursos sejam protegidos contra qualquer mecanismo de perdão, conversão, reestruturação ou adiamento.
O Instituto de Seguridade Social possui cerca de US$ 355 milhões depositados na instituição falida, correspondente a 9% de todo o fundo previdenciário do governo paraguaio. Apesar disso, a conselheira Mirtha Arias garantiu que não haverá falta de verbas e que os pensionistas receberão integralmente no dia 17 de novembro, enquanto o instituto tenta reaver os valores junto ao Banco Central e transferir contas de 32 mil aposentados para outros bancos.
A ANDE também mantinha depósitos no Banco Ueno, incluindo empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento e de Taiwan. O presidente da estatal, Miguel Baéz, solicitou tratamento especial ao Banco Central para os fundos da empresa e alertou que a crise pode afetar o negócio porque usuários da estatal utilizam aplicativos do Ueno para realizar pagamentos.
