Na manhã de domingo, 30 de agosto, centenas de manifestantes se concentraram na Avenida Paulista em São Paulo para protestar contra a manutenção da escala 6×1, em ato organizado por sindicatos e movimentos sociais que antecipa a votação da PEC nº 221/2019 no Senado Federal, enquanto o presidente Lula reafirma que a proposta deve ser aprovada na próxima semana no Congresso Nacional.
Contexto Histórico e Estrutural da PEC 221/2019
A mobilização ocorreu em um cenário de intensificação do debate trabalhista no Brasil, no qual centrais sindicais como a CUT e movimentos como o MTST articulam a campanha nacional pelo fim da jornada exaustiva de seis dias de trabalho seguidos sem redução salarial, reivindicando maior tempo para a vida familiar e atividades pessoais, enquanto a PEC nº 221/2019, já aprovada na Câmara dos Deputados em abril de 2024 com amplo apoio bipartidário, prevê a fixação do limite máximo de 40 horas semanais de trabalho com dois dias de descanso semanal inteiro, mantendo integralmente os salários atuais.
A expectativa centraliza-se na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde o relatório da matéria deve ser submetido à análise constitucional nos próximos dias, sob a pressão de atos simultâneos em capitais como Salvador, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Fortaleza, que reforçam a dimensão nacional da demanda por reforma na jornada laboral.
Mais de 40 horas semanais de trabalho previstas na PEC 221/2019 representam avanço histórico para a proteção dos direitos trabalhistas sem prejuízo salarial.
Repercussão Política e Desdobramentos Legislativos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva asseverou em discurso proferido em Belo Horizonte no dia 29 de agosto que o Congresso Nacional tem compromisso de aprovar até o final da semana corrente o texto constitucional que regulamenta a jornada de trabalho, destacando que a medida visa assegurar maior qualidade de vida aos trabalhadores sem descaracterizar os direitos conquistados.
Enquanto isso, posicionamentos divergentes surgem no espectro político: o senador Renan Calheiros classifica a proposta como 'populista' e defende manutenção da jornada de 44 horas semanais, defendendo critérios técnicos sobre produtividade, enquanto candidatos como Nat Boulos (PSOL), Marina Silva (Rede) e Carlos Machado (PCB) integram as fileiras dos favoráveis à aprovação imediata da PEC.



