A O peração Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, identificou a suspeita de controle do Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre mais da metade das 12 empresas de transporte público que operam nas linhas de bairro da capital paulista, com base em trocas de mensagens entre os investigados Cícero José dos Santos Filho e José Daniel Satilite, evidenciando vínculos estruturais entre a facção criminosa e o mercado municipal de mobilidade urbana.
Contexto Institucional e Histórico da Infiltração Criminosa
A apuração policial, fundamentada em delações e interceptações autorizadas pela Justiça, revelou que as 12 companhias listadas – incluindo Viação Transcap, MoveBuss, Transunião, Qualibus Transportes (transformada na UpBus), Transcooper (reestruturada como NorteBuss Transportes), Transwolff e outras – firmaram contratos com a Prefeitura de São Paulo nos últimos 15 anos, operando exclusivamente nas zonas residenciais periféricas e na capital, com exceção do centro histórico.
As investigações apóiam-se em relatórios técnicos do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e no inquérito policial nº 2023/04567/2024, que comprovam padrões de extorsão, desvio de recursos e comunicação sistemática com líderes do PCC, configurando um esquema de coerção e suborno que compromete a segurança pública e a gestão pública do transporte coletivo.
Mais da metade das empresas que operam o transporte público da maior cidade da América Latina estaria sob controle do Primeiro Comando da Capital, segundo laudo da Polícia Civil.
Repercussão Jurídica e Estratégias de Intervenção Municipal
A Prefeitura de São Paulo, sob a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), já declarou a caducidade do contrato com a Transwolff em dezembro de 2025 e oficializou a desfiliação da UPBus do sistema municipal no início de 2024, além de determinou a suspensão temporária das operações da A2 Transportes após a prisão dos dois gestores envolvidos em atos criminosos.
O Ministério Público de São Paulo requereu o afastamento preventivo de 44 pessoas ligadas às empresas investigadas, incluindo executivos da A2 Transportes, Alfa Rodobus, Pêssego Transportes e MoveBus, com base em mandado de prisão expedido pela 12ª Vara Criminal da Capital.
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