São Paulo – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez uma crítica velada às declarações do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), durante entrevista coletiva na Prefeitura de São Paulo, onde esteve para um almoço com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), na segunda-feira (7/8).
Contexto Institucional e Reações ao Projeto de Integração Regional
A declaração do ex-presidente, proferida durante evento com o prefeito Ricardo Nunes, trouxe à tona tensões latentes entre os estados do Nordeste e as regiões Sul e Sudeste, após o governador mineiro ter anunciado, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a formação de uma frente entre os estados do Sul e Sudeste com o objetivo de articular políticas comuns e evitar desequilíbrios no processo de divisão do novo imposto único previsto na reforma tributária. Esse movimento gerou reação imediata entre autoridades nordestinas, entre as quais se destacou o ministro da Justiça Flávio Dino (PSB), ex-governador do Maranhão.
Nos dias seguintes, Dino utilizou sua conta no Twitter para rotular Zema de 'traidor da pátria', acusando-o de estimular o separatismo ao propor a união de estados que, segundo ele, tentariam reduzir a participação dos entes federativos do Nordeste no conselho deliberativo sobre a reforma tributária, apesar da concentração populacional no Centro-Sul. A polarização política entre os dois lados da federação intensificou debates sobre soberania regional e justiça distributiva.
O ex-presidente afirmou que São Paulo é a cidade que mais abriga nordestinos no Brasil, destacando sua conexão histórica com o interior do país.
Repercussão Política e Desafios Jurídicos na Apuração do Separatismo
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal iniciaram procedimentos para apurar se há indícios de incitação ao crime contra a unidade federativa previstos no artigo 391 do Código Penal, embora Zema tenha negado qualquer intento de desmembramento ou redução de autonomia dos estados do Nordeste. Autoridades jurídicas consultadas destacam que a mera proposta de integração administrativa não configura, por si só, crime de separatismo.
Enquanto isso, setores econômicos mineiros e paulistas manifestam apoio à iniciativa, alegando que a coligação regional pode otimizar investimentos em infraestrutura e logística. O governo federal ainda aguarda manifestação formal da Casa Civil sobre a constitucionalidade da frente proposta antes de avaliar eventuais medidas cautelares.



